Wednesday, February 25, 2009

Houdini

Hamster Siberiano.
Branco, cinzento e uma fina lista negra.

Foi um dos dois hamsters que escolhi para me fazerem companhia.
Ao príncipio ganhei-lhe aversão. Era arisco, agressivo, rezingão. Rapidamente começou a violentar o parceiro, que para além de bastante ensanguentado ganhou um valente piercing numa das orelhas. Tive de o retirar da gaiola - um T3 gigantesco para dois hamsters, com tubos e roda giratória, casa, água, comida....

Coloquei-o temporariamente numa caixa de sapatos, com comida, água e um refúgio com material para fazer a sua cama. De nada adiantou. Rapidamente conseguiu fazer um buraco para escapar. Apanhei-o a tempo durante a noite, tal não era o barulho de roer o cartão duro da caixa.

Segunda temtativa... coloquei-o num tacho velho em desuso, cuja altura era o dobro dele de pé... e esticado. Mais a comida, água, etc. Pouco durou... de alguma forma misteriosa conseguiu escapar. Andou desaparecido durante 3 dias. Procurei e não encontrei. Nem rasto, nem cagadelas para sinal de vida, nem nada. Nem mesmo com um monte de comida estrategicamente colocada.... nada! A empregada limpou a casa toda, também procurou... e nada!

Convenci-me de que tinha efectivamente escapado. Enfim... também não lhe tinha grande estima. O raio do bicho não parava quieto, era violento, agressivo e rezingão. Se queria desaparecer, pois que fosse feliz. Pronto... fiquei um pouco triste, mas de facto não lhe tinha grande estima. E ao menos assim já não tinha de comprar outra gaiola.

No entanto, ao fim de três dias, eis que ele aparece na sala... anda calmamente meio metro, pára, levanta as patas da frente, olha a toda a volta, cheira o ar, volta a andar calmamente mais meio metro, pára, levanta as patas da frente.... Fui ter com ele, apanhei-o, ou deixou-se apanhar, e nem refilou muito. Coloquei-o de volta no tacho, mas tratei de encontrar uma caixa de cartão com meio metro de altura. Coloquei tudo o que tinha direito, e até uns tubos para ele se entreter. Comeu e bebeu como se não houvesse amanhã. Raio do bicho., estava faminto.

Ganhou nome - Houdini.
Depois ganhou outro... Rezingão. Assim ficou, Houdini Rezingão.
Continuava agressivo, e muito mas mesmo muito rezingão. Tentou inúmeras proezas para escapar, e até conseguiu fazer mais um buraco no cartão grosso... mas desta vez eu andava atento. Um buraco, uma revista de meio centimetro e bem rija a tapar. Uma escalada, mais um obstáculo. E assim por diante.

É engraçado, refilava, mas deixava-se pegar. Ameaçava morder e arranhar, tal não era o barulho ameaçador que produzia e a posição de defesa Aikido, de garras em riste e dentes em posição de ataque. Mas lá se deixava pegar. E uma vez na mão, cheirava e partia à descoberta do braço, ombro, e assim por diante... Não parava quieto. E nunca mordeu.

Dentro da caixa chegava a fazer sapateado. Sim... sapateado! Pronto, não era sapateado, mas punha-se de pé a olhar para mim e batia com as patas de trás no chão alternadamente e tão rápido que o som parecia sapateado, e de vez em quanto ía girando ao mesmo tempo, tipo aquelas bonecas bailarinas das caixinhas de música. Também dava pulos, e por vezes caía enquanto olhava para cima. Cada vez que lhe chegava a mão, refilava, ameaçava, mas deixava-se pegar e logo partia à descoberta do que pudesse. Não parava quieto, na caixa ou na mão. Durante a noite a caixa parecia uma serração.... toda a noite! Roeu revistas e cartões como se fosse vital para viver.

Ganhei-lhe gosto. Afeiçoei-me. Era fantástico, e sentia um orgulho enorme no Houdini. Já planeava a gaiola para ele.

Faleceu hoje, dia 25, às 2:45 da manhã.
Sofreu de prolapso rectal.

Num dia estava optimo. No dia seguinte tinha centimetro e meio de intestino de fora. Preocupado e sem saber do que se tratava, procurei na net. Encontrei inúmeros casos, quase todos fatais. O Houdini mal reagia, nem refilava. Deixava-se estar quieto, enrolado em si no centro da cama que ele próprio tinha preparado num local diferente daquele que eu lhe tinha destinado - o bicho era mesmo do contra!

Procurei mais informação, mas a esperança era curta, e o fim mais provavel era uma eutanásia. Mesmo em caso de sucesso de uma cirurgia, a recuperação não era garantida num caso tão avançado. E ainda teria de aguardar meio dia para ser assistido. A maioria dos sites adiantavam poucas horas e vida sem tratamento, e uma semana ou duas em caso de cirurgia. Raros eram os casos de sucesso.

Depois de muito pensar e analisar, tomei a decisão de acabar com o sofrimento. Uma dose de alcool e um Aspergic 1000 dados a custo deram conta do recado. Foi engolindo e perecendo, até que deixou de bater o coração.

Éra um hamster. Apenas isso. Um rato!
Nada de mais.
A principio custou-me o sofrimento do bicho e a perda do Houdini. Mas no fim, doeu-me a forma como sofreu, a resistência ao cocktail e o ultimo movimento que lhe senti. Fiquei triste, e observei-o durante alguns minutos. Quis ter a certeza de que estava mesmo morto. Não podia correr o risco de estar somente inconsciente. Passados longos minutos estava oficializada a morte. Limpei-o dos restos do cocktail dentro de água, e assim mais uma vez garanti que não respirava.

Sentimentalismos, mas que fazer?
Somos assim mesmo...

Dos dois, resta o Kamikaze. O outro hamster siberiano. Mas desse falarei noutra altura, e espero que por motivos diferentes.

Sunday, February 22, 2009

Evolução da espécie?

Há dias discutia sobre a evolução do ser humano, e de como estavamos a mudar nestes últimos anos.

Alguém muito próximo e já com bastante experiência de vida me dizia que a tendencia da humanidade era cada vez mais espiritual para uns, e mais humanitária para outros, sendo que na globalidade isso se estava a demonstrar de tal forma marcante que se tornava uma tendencia natural da humanidade no seu todo, e de que dentro de algumas décadas o nosso modo de vida social seria totalmente diferente - mais humano, mais sentido.

Neste ponto, posso ser considerado de pessimista, mas creio-me apenas realista e, nalguns aspectos, até mesmo optimista...

Não creio que a humanidade esteja a evoluir. É verdade que olhamos os eventos que nos rodeiam com outros olhos, que temos cada vez mais explicações científicas para o que nos rodeia, e também para a nossa própria maneira de ser e de funcionar. É verdade que nos conhecemos melhor e que mais facilmente conseguimos controlar as nossas reacções. É verdade que a nossa evolução científica e tecnológica está cada vez mais audaz... É verdade que, nalguns aspectos, evoluímos extraordinariamente rápido, principalmente no último centenário.

É verdade que comunicamos mais, e que o mundo se torna cada vez mais uma pequena aldeia.

Contudo...
...somos exactamente os mesmos que há 3.000 anos trás, ou 5.000, ou....

A verdade é que se lermos histórias de outros tempos, de há 1.000 ou 5.000 anos trás com base em documentos escritos na época, e substituírmos a tecnologia dessa época pela de hoje, e as interpretações passarem de religiosas ou místicas a científicas (e mesmo assim essa substituição nem sempre é necessária), essas histórias são exactamente iguais às de hoje. E acreditariamos nelas com se tivessem passado com alguém do nosso próprio meio social.

Não mudámos nada, absolutamente nada.

Péssimismo? Talvez... fatalismo, ou o que lhe quiserem chamar...
Julgo que para uma verdadeira mutação será necessária uma alteração mais profunda da nossa mente, na nossa espécie, e, no meu entender, isso levará mais que as passadas 300 ou 400 gerações dos últimos 5.000 anos (se me enganei nas contas, paciência, mas mantenho o meu fundamento).

Optimismo? Talvez... ingenuidade, ou o que lhe quiserem chamar...
Julgo que se nos fomos capazes de manter vivos até aqui, talvez nos consigamos mater por mais 5.000 anos.

O ser humano existe já há umas valentes dezenas de milhares de anos. É certo que nunca como agora dispôs de armamento de destruição massiva, nem poluía o mundo da forma tão estúpida, grave e sem sentido como fazemos hoje.

Ainda assim, é um ser adaptativo, de pequenos grandes feitos, com grande genialidade, muita loucura, exuberância e depressão, generosidade e de rasgos profundos maquiavélicos, e tantas mais qualidades como defeitos. Mas é o mesmo de sempre, sem mais nem menos, pelo menos desde que existem registos históricos sobre a sua vida.


Uma vez pergutaram a Confúcio:
- O que mais o surpreende na humanidade?
Confúcio respondeu:
- Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro e depois perdem o dinheiro para recuperá-la. Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente, de tal forma que acabam por nem viver no presente nem no futuro.
E concluiu:
- Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se não tivessem vivido...

[Confúcio - China: 551 a.C. - 479 a.C.]

Saturday, February 7, 2009

Desafio

Fui desafiado, e aqui está uma resposta ao desafio.

O desafio partiu da amiga Najla, com quem afinal simpatizei a partir do primeiro contacto virtual.
;)

Muito mais poderia dizer, e porventura até mais interessante que o que aqui vos deixo... mas assim de repente foi o que me surgiu. Talvez noutra altura algo mais interessante saia desta cartola minha cabeça...


Os seis factos aleatórios da minha pessoa são....

uma >> apesar de adorar organização, sou absolutamente desorganizado
(mas onde é que eu deixei as chaves do carro?)

outra >> tenho mudanças súbitas de humor, entre o meio depressivo ao totalmente exuberante, mas a boa disposição e o bom humor acabam por prevalecer - e muitas vezes riu-me de mim próprio
(e as chaves estavam mesmo.... no comments!)

e mais outra>> corto o meu próprio cabelo (já lá vão uns 3 anitos) por detestar esperar no cabeleireiro (ou barbeiro, conforme calhar), pela dificuldade que é encontrar um lugar de estacionamento, ou por estar limitado a horários e disponibilidades... e assim até já cortei o meu cabelo às 4 da manhã, que foi quando me apeteceu!
...e com excepção de um destes dias já não me barbeio há uns 3 anos (só aparo, e não uso barba), mas aqui os motivos são outros...
(manias!)

e ainda >> adoro comer e preparar comer, é relaxante, um escape ao stress e um desafio à imaginação - não sigo receitas... invento divertidamente (talvez por isso às vezes saia cada b...)
(e depois alguém que limpe a cozinha... ooops, mas eu vivo só-zi-nho....)

e não esquecendo >> adoro chocolate... branco, de leite e especialmente o negro! Mas também adoro pastelaria fina, e pasteis de nata, e bolas de berlim com creme, e...
(ai...a balança, as análises, e este belo e redondo almofadado frontal)

por fim, mas não por último >> Gosto de quase todas as culturas com as quais contactei, e outras das quais só ouvi falar, mas tenho uma panca pelas latino-americanas (especialmente a Cubana) e pela espontaneidade africana, e uma total doidice por conhecer a Austrália e a Nova Zelândia
(haja tempo, haja dinheiro, porque vontade já existe que chegue e sobre)


Lamento não passar este desafio a outros seis blogs.
Gostei do desafio, e tenho a certeza de que todos receberão o mesmo por cadeia... porque confio que dos seis desafiados dos quais fiz parte, pelo menos metade vão passar o "testemunho".

:)

Tuesday, February 3, 2009

Pensamentos

No meio de todas as mudanças, pergunto-me se estarei a mudar no caminho certo.

Certo...é que precisava de mudar, e ainda sinto que preciso.
Incerto...é o caminho que tenho estado a percorrer.

Nas mudanças que aceitei, por um lado, e que decidi implementar, por outro, algo correu muito diferente e os planos não resultaram exactamente como previsto.

Por um lado, algo de absolutamente magnífico sucedeu contra todas as minhas expetativas. Trata-se de algo que influencia o meu lado mais pessoal, mais íntimo, e nada me deixaria mais feliz que a surpresa de ter encontrado uma alma gémea numa altura em que não a procurava.

Apesar de muitas mais mudanças precisar que ocorram no plano pessoal, e provavelmente algumas nem conseguirei executar, algo me diz que neste plano estou no caminho certo.

Por outro, e no plano profissional, embarquei numa aventura arriscada que não resultou. Poder-se-ía dizer que foi falta de empenho ou inadaptação da minha parte - acontece - mas a verdade é que o que sucedeu até nem teve qualquer origem na minha performance. Sucedeu porque alguém apostou errado, errou nos cálculos, escondeu factos, não foi frontal, e só os divulgou por obrigação em cima do momento.

Pergunto-me até que ponto as nossas escolhas não serão de alguma forma condicionadas para que façamos um caminho específico. E que por mais que escolhamos um ou outro percurso, acabamos sempre por ser levados a um outro que forçosamente temos de percorrer.

Isto vai de encontro àqueles que acreditam no destino, e que temos algo a concretizar, dê por onde der.

No entanto, e partindo do príncipio de que tal é verdade como forma de equilíbrio de algum nível de energias, como conseguir antecipar e escolher o caminho certo?

Tenho planos, projectos, que requerem tempo, formação e alguma experiência. Tempo que decidi adiar, formação e experiência que decidi obter noutra altura. E agora, que falta me fazem...

Certo...é a felicidade que sinto quando olho nos olhos dos meus amigos, e de quem mais amo.
Incerto...é conforto financeiro que conseguirei ter ao longo dos próximos tempos.

Certo...é que apesar de tudo o que possa suceder no plano profissional, sinto-me capaz de dar a volta por cima, e sentir-me feliz com quem escolhi estar.

Certo...é vivermos assim do que sentimos, e não dos bens que podemos obter.

Tuesday, January 13, 2009

Amor que me encorpas, Corpo que te amo

A propósito do que li num dos meus blogs predilectos sobre a "importância que efectivamente tem a parte fisica de uma relação", e se "...o amor poderá sobreviver sem a paixão... sendo a paixão a expressão primordial do desejo....", dei por mim a meditar no que sinto e porque o sinto.

Naturalmente, sou obrigado a concordar que...sim, a parte física tem importância e...sim, a parte física faz diferença e....sim, todo o físico é fantástico e maravilhoso e fabuloso e mágico e....

Mas por outro lado, talvez seja importante determinar, antes de mais, o que é esse físico, esse desejo, essa tesão. Porque, e à parte de casos particulares (que até nem são assim tão particulares como isso), de que forma é esse fogo físico tão fundamental numa verdadeira relação sentimental?

É que todos já ouvimos sobre histórias reais contadas por uns e por outros de amores distantes ou de amores intocáveis e, por vezes, até sem qualquer físico. Todos já lemos poemas e histórias clássicas de amor, de ilustres autores portugueses e estrangeiros, sobre amores não concretizados, mas que sobreviveram ao passar dos tempos com a mesma força, senão mesmo reforçada (embora agora me ocorra à memória o Cyrano de Bergerac). Todos alguma vez sentimos algo de muito especial por alguém que não foi despoletado por qualquer atracção física, mas que naturalmente se acabou por reflectir no seu corpo (ou não).

Pessoalmente, considero o toque físico muito importante, diria até fundamental. Faz parte de quem sou. Sinto falta de mexer, de tocar, de sentir o calor corporal, o vibrar do corpo, a simples respiração, o palpitar de um músculo, o mexer de uma veia, o cheiro do corpo que em cada parte é diferente, e olhar nos olhos, aquele olhar profundo ou simplesmente observador, o jeito, o gesto, a expressão, enfim... ...o sentir o corpo vivo, e interagir com ele. Sendo esse corpo da pessoa amada, da mais desejada de todas, essas sensações atingem o rubro, e levam-nos a estados e sensações que jamais teríamos de outra forma...
...ou será que teríamos mesmo de outra forma?

Será que, de acordo com algumas filosofias, conseguiremos mesmo desligar-nos do sentir físico e passarmos ao rubro metafísico?

Será que andamos todos iludidos e embrenhados num corpo que, mais cedo ou mais tarde, definha e perde todo aquele sabor, toda aquela frescura, jovialidade, elastecidade, brilho, tenacidade...
...será essa passagem da idade uma lição dos deuses, do sentir sem a necessidade do corpo?

Sei, no entanto, que amarei sempre o corpo daquela que amo, seja hoje ou amanhã, ou daqui a 50 anos, como se fosse hoje. Mesmo o corpo velho, gasto, marcado pelo tempo, sem aquele brilho e esplendor de outros tempos. Porque esse corpo terá sempre a marca do sentimento, do meu sentimento, e do seu sentimento, que o transformará a meus olhos num corpo belo e atraente, aquele que me levará sempre ao rubro, e que me dará sempre a sensação de segurança e conforto, que me faz sentir em casa.

A pessoa que amamos torna-se diferente com o tempo na nossa maneira de sentir e olhar, na nossa perspectiva, e torna-se mais profunda, ou mais "nossa", assim como se fizesse parte de nós, como se fosse uma extensão do nosso ser, do nosso corpo... ...e de uma forma muito natural.
Pelo menos é isso que sinto. Passa a ser um pedaço meu, uma extensão do meu ser, a terminação da minha imperfeição.
E que bem que sabe, mesmo muito bem....

Afinal, talvez seja isso mesmo. O corpo, a "união dos corpos amados", talvez não seja tão fundamental. Na verdade, é meramente passageiro.
Mas nós, seres humanos, precisamos de sentir e gozar dessa união para dar forma a um sentimento que não se apalpa nem se vê, mas apenas se sente como algo abstrato e indescritivel. E sem "encher as mãos", sentimo-nos como que a perder a fé dos sentimentos do coração. Somos incrédulos por natureza. E demonstramos essa incredulidade todos os dias nos nossos actos, até nos mais banais.

E até lá, até nos sentirmos capazes de iludir o físico que nos trai com o tempo, até acreditarmos que o que sentimnos é mesmo verdade e não carece de confirmação...
...até lá, o melhor é tirarmos o máximo prazer do corpo que temos e daquele que amamos, gozarmos dessa tesão física e psicológica até caír para o lado, como se não houvesse amanhã...
...porque amanhã, amanhã é já ao virar da esquina, é já daqui a pouco, e o tempo não perdoa!

Saturday, December 27, 2008

Borboletas

As borboletas são inspiradoras.

Podem ser bonitas, feias, ou nem por isso esteticamente relevantes. Podem desencadear espanto, admiração, alegria ou simplesmente uma agradável sensação de leveza e harmonia.

Os gregos da antiguidade acreditavam que a alma de uma pessoa, que abandonava o corpo após a morte, se tornava numa borboleta.

As borboletas são sinónimo de várias situações, sinónimo de mudança pela sua metamorfose, de feminilidade pela sua aparente fragilidade (e isto porque, culturalmente, quer se goste ou não, concorde ou discorde, a fragilidade ainda se encontra intimamente ligada à mulher), sinónimo também de sensibilidade pela sua leveza e forma, de beleza pela sua combinação de cores, tons e formas gráficas muitas vezes absolutamente incríveis...

A minha favorita continua a ser a borboleta azul, da América latina central. Não sendo preenchida de glamour com panóplias de cores e desenhos vários, tem um tom azul hipnotizante, brilhante, e erradia algo de absolutamente fantástico e misterioso. É enorme, para o que estamos habituados a ver numa borboleta, e vê-la ao vivo no seu habitat natural foi uma experiência com uma sensação bastante tranquilizadora. E nunca encontrei uma fotografia que lhe fizesse justiça.

No entanto, julgo que o aspecto mais relevante numa borboleta é a sua total metamorfose, e todas as etapas que passa ao longo da sua vida. A borboleta passa por quatro estágios, desde o ovo, à larva, a pupa (ou casulo) e a fase adulta. Na passagem por estas quatro fases a borboleta tem hábitos, formas e dietas totalmente diferentes. O seu ciclo de vida pode ser desde um mês até um ano, consoante as espécies. E quanto à fragilidade, esta pode viajar por mais de 3.000 km sem parar, com todas as contrariedades meteorológicas já conhecidas.

A metamorfose é a inspiração mais relevante na minha opinião, a mais significativa, a que mais nos move e atrai. É a demonstração de mudança de um estágio para outro, seja ele qual for, psicológico ou físico, profissional ou pessoal, culminando em algo absolutamente belo e complexo ao mesmo tempo, mas de uma simplicidade contraditória. E nós, como seres humanos pensadores (ou supostamente) tendemos a usar de metáforas para descrevermos ou exemplificarmos a nossa própria necessidade, ou desejo, de mudança, através das mudanças que presenciamos no mundo que nos circunda.

E a sensação de liberdade e harmonia que esta mudança induz, é a mais cativante...


de: Raphael Ibanez de Garayo

Nota: quem não conseguir ver aqui, dirija-se a http://www.raphaelibanez.com/
Basta escolher a opção "Short Films/Doc", e depois a segunda imagem da primeira fila.

Sunday, November 16, 2008

Pinguins vs. Humanidade

Esta semana adquiri mais um livro de fotografias. Este foi mais um do Frans Lanting. O livro chama-se Penguin, e trata-se de um trabalho fotográfico sobre as diversas espécies de pinguins, de como vivem, do seu meio envolvente, dos seus hábitos, ou melhor dizendo, daqueles que são passíveis de serem retratados em fotografia.

Como excelente fotógrafo que é o Frans, não posso deixar de ficar maravilhado ao folhear este pequeno livro, não só pela excelente qualidade fotográfica como, e principalmente, pela forma quase humana com que os pinguins se vêm retratados.

As imagens demonstradas dão-nos a sensação de que estas pequenas aves têm comportamentos a que estamos só habituados a ver em seres humanos. Ou então, talvez os papeis se estejam a inverter, e nós, ditos seres humanos, estejamos a perder a nossa essência humana.

E invertendo-se a humanidade da nossa essência, talvez o restício de saudosismo que ainda conservamos nos leve a agraciar estes pequenos gestos nos demais seres animais que nos rodeiam com tremendas reverências de humanidade, quando na verdade são gestos normais entre seres sociais que se estimam e de entre os quais se dependem.

E pensar que a nossa humanidade, aquela que tanto defendemos como supra-racial, é também a força destruídora dos habitats destas fantásticas aves, assim como de tantos outros animais e insectos neste mundo.


Seremos assim tão humanos?

Wednesday, November 5, 2008

Paixão pelo trabalho?...

A paixão pelo trabalho é imperativa?

Numa altura em que muito se discute sobre a competitividade, produtividade, as condições de trabalho, métodos organizacionais, estratégias empresariais e crises económicas, não estaremos a negligenciar o mais importante?

No meio de tantas teorias e reorganizações, muitas vezes esquecemo-nos daquele factor x, ou subestimamos a sua importância, que é aquele que verdadeiramente nos impulsiona a ser brilhantes e a fazer toda a diferença. Levantamo-nos de manhã cedo (pelo menos alguns), cumprimos todos os rituais e obrigações, deslocamo-nos para o local de trabalho, assimilamos obstáculos, problemas e dificuldades, encontramos soluções, discutimos estratégias, implementamos normas e, por fim, voltamos a casa (pelo menos alguns), para aquele ambiente familiar e, normalmente, reconfortante, contentes por ter sobrevivido mais um dia, e cooperado para mais um passo em frente no que quer que seja em que nos vejamos envolvidos profissionalmente. Os dias passam, e ao fim de algum tempo passamos os dias como máquinas, fiel a metodicamente a executar todas as nossas funções profissionais, tipo robots programados para todas as eventualidades, prejuízos e sucessos alcançados, e por fim lá nos tornamos resistentes à mudança, àquele pequeno abalo na nossa rotina quotidiana.

No entanto, algo de mágico sucede com constante ocorrência quando nos envolvemos em projectos pessoais, sejam estes de carácter lúdico ou não. Tornamo-nos mais pró activos, mais dispostos à mudança, menos exaustos, mais enérgicos, e questionamos, sempre, se não poderemos melhorar o que estamos a fazer, seja essa melhoria meramente processual ou até técnica. Encontramo-nos em constante recriação, e sentimo-nos bem por isso.

A ideia de que o local de trabalho é algo mecânico e muito sério é, simplesmente, retrógrada. E apesar disso, é precisamente essa a ideia que vinga, entenda-se como aplicação prática como norma, na maioria dos casos.

Afinal, não será a nossa criatividade, o nosso pequeno génio, as constantes mudanças, que dão origem às melhores performances? Não será a paixão que nos faz conseguir tudo isso? Hoje, ainda muitas empresas aplicam normas demasiado rígidas tornando-nos todos iguais, e muito desapaixonados. É diminuto o investimento no seu capital mais valioso, e o incentivo a uma atitude corporativa clonada é desmesurada. Por um lado compreende-se essa estratégia de gestão de pessoal, mas algo de muito valioso se perde no capital humano.

Por coincidência, quando criava este artigo, estava a decorrer no Centro de Congressos do Estoril o SAP Business Forum, onde um dos oradores convidados foi o Gary Hamel (www.garyhamel.com). Assim, decidi substituir a conclusão deste artigo por uma ideia deixada por este especialista da estratégia empresarial, no início da sua intervenção no evento.

O que é que os gestores de topo mais procuram nos seus colaboradores? Obdiência, inteligência e diligência. Mas a verdade é que tudo isso também se consegue obter de um cão!

A diferenciação entre as pessoas pela obdiência, inteligência e diligência é dificil de se atingir. Por forma a que se consiga derrotar a popularização, a perda de diferenciação, as empresas vêem-se obrigadas a disponibilizar um valor único aos seus clientes, que só pode ser conseguido através de colaboradores com iniciativa, criatividade e zelo pela sua profissão no seu dia-a-dia.



Thursday, October 30, 2008

Passado vs Futuro vs Presente

Em sintonia com os tempos que vivemos, e com a experiência do passado, algo me diz que deverei ter cautela e pensar no futuro. Dizem-me alguns que o seguro morreu de velho, mas eu acho que ele ainda anda por aí... ...e não mostra ares de quem definha.

Penso actualmente até que ponto me deverei conter, pensar no amanhã, e reservar as minhas energias para um dia chuvoso. Penso, também, que um dia serei velho e caduco, que vou olhar para trás, e ver uma vida de espera e reserva, de planos feitos e seguidos a pormenor, ou nem tanto porque nunca fui assim organizado e metódico, mas sem risco de grandes euforias, sem rebaldaria nem sentimentos efusivos, mesmo que por breves instantes.

Penso, e agora que me deu para pensar o melhor é aproveitar antes que a vontade se acabe, que um dia estarei a contar as minhas histórias a alguém, e pouco terei a acrescentar de útil e divertido.

E assim, como deveremos pesar o nosso passado e o nosso futuro, nas nossas escolhas presentes?

Em sintonia com os tempos que vivemos, e com a experiência do passado, algo me diz que não há seguro, não há certezas, e não há chuva que não dê em bonanza.

E assim, porquê esperar um futuro quando podemos viver o presente?

Tuesday, September 30, 2008

Mudanças (cont.)

As mudanças assustam, colocam-nos à prova.
E quem não sente algum desconforto por ser posto à prova?

Se estagnarmos, nada mudamos.
Se não arriscarmos, definhamos.
Se  não mudarmos, morremos.


Afinal, e no fim de contas, acabamos por gostar de mudar.
Mas nem sempre se muda bem.


Nada se perde, tudo se transforma.
É a base de tudo o que nos circunda. Tudo o que desaparece, desaparece realmente?
Quando se morre, transformamo-nos em algo diferente, que dará vida a outras vidas.
É uma mudança constante.

Há livros e livros, textos e discursos, notas e apontamentos, sobre a mudança e formas de mudar. Conselhos e técnicas, modelos de risco e planos de acção. Mas no fundo, o importante é que mudamos, quer queiramos ou não. Por vezes, por obrigação imposta (a forma mais dificil) e outras por opção ou antecipação (as mais harmoniosas). Mas mudamos, mesmo aqueles que dizem que não mudam nunca!
A mudança é cada vez mais importante no mundo veloz em que vivemos, e apreendermos essa realidade é uma mais valia para enfrentar os desafios que nos são colocados diariamente.
Por vezes, à falta de queijo, temos de comer só o pão, mas noutras vezes podemos experimentar com azeite e orégãos, ou manteiga e alho, ou... ..e temos novas receitas saborosas para variar.

A mudança faz-nos ver para lá do horizonte, e compreeder que afinal o nosso mundo não é só esta cor, mas também outras cores. Dá-nos um outro lado, e liga-nos a outros caminhos. E, por fim, olhando para trás, vemos toda a lógica desse caminho como nunca teriamos sido capazes se não mudassemos.

Mudemos todos, mudemos sózinhos, e mudemos em conjunto... ...mudemos juntos, pois juntos faremos uma revolução!

Avancemos para lá do escuro, para lá do horizonte, para lá dos cumes que arranham os céus.
Com medo ou sem ele, mas com determinação.
Enfrentemos esse descnhecido, sorriremos na sua presença, e faremos dele um nosso amigo!
E, se bem virmos as coisas, até os burros acabam por mudar de direcção.


Mudem, mudemos!
Movimento pela mudança.




Obrigado pelos comentários no post "Mudanças".




Monday, September 29, 2008

desCultura

A forma como vivemos é muitas vezes um engodo ao nosso estímulo intelectual.

Procuramos coisas sem interesse num pretexto de interesse cultural inexistente, damos atenção a coisas desinteressantes em prol de um tempo bem passado mas que no fundo não passa de um desleixo psicológico, dizemos que precisamos descansar quando do que sofremos é de uma preguiça mental descomunal.

Afinal, o que é cultura e interesse, e o que é realmente descanso e tempo bem passado?

Numa altura em que a cultura se bebe da world wide web sem quaisquer limites nem custos exorbitantes, quase ao alcance de qualquer um... ...mas só quase, é um absurdo ver como se fala e escreve tão mal, mas pior que isso, é ridicula a forma como as ideias se encontram estruturadas, ou melhor dizendo, destruturadas, e é ainda pior ver sobre o que realmente se escreve e discute.
Mas não existirá nada de mais interessante?

É verdade que a web tem muita desinformação, provavelmente mais lixo que qualidades, mas ainda assim, é um mundo de riquezas limitadamente infindáveis.

Sería compreensível ver falta de cultura antes desse tempo, em que era complicado levar o conhecimento às pessoas. Mas hoje, esse conhecimento está ao alcance de um click, e no entanto, esse click serve para tudo menos informação consistente e com qualidade.

Não pretendo dar a entender que sou um erudito e que tenho uma cultura elevadíssima que me distingue dos restantes. Não sou! Padeço, como muitos, de uma boa dose de preguiça mental e de alguma física também. Mas isso só me faz pensar como realmente muitas pessoas são pequenas de espírito, por conseguirem ser ainda tão piores que eu.

Estará este mundo assim tão perdido, ou será que temos nós, os outros, a mania da cultura?

Será a nossa cultura é melhor que a dos restantes, ou cada cultura, seja ela qual for, tem o mesmo valor?

Entenda-se aqui a palavra "cultura" não como aquela que distingue os povos e as suas tradições, mas aquela que distingue preferências actuais, tais como programas do tipo Reality Life, revistas cor de rosa, revista especializadas, livros diversos, técnicos, museus, teatro, concertos....

Wednesday, September 24, 2008

MUDANÇAS

Há momentos de mudança.

Momentos em que, mesmo não apetecendo, lá terá de ser.
Momentos em que, mesmo não querendo, não há volta a dar.
Mas também momentos em que se quer, efectivamente, mudar.

O problema com a mudança é que, por vezes, sabemos para onde e como queremos mudar, mas não conseguimos, como se algo mais forte nos agarrasse ao chão e nos prendesse as pernas e nos toldasse o espírito. Mas também há outras vezes em que não sabemos para onde nem como mudar, mas sabemos que, ainda assim, queremos e temos de mudar.

A mudança trás vantagens, revela-nos quem realmente somos, realça aspectos da nossa personalidade até aí desconhecidos. Coloca-nos desafios, coloca-nos perante obstáculos, por vezes até intransponíveis, ou aparentemente, mas faz-nos crescer e desenvolve a nossa criatividade. A mudança também trás dissabores, cansaço, exaustão, uma insegurança constante, medos e receios, abre feridas, e parte-nos a alma.

Mas o que seria de nós sem mudança?
Ainda hoje andaríamos a navegar em náus em vez de aviões, não...ainda hoje não tinhamos descoberto o chocolate e assim desconhecíamos o prazer reconfortante de um chocolate quente numa noite fría e húmida de inverno, não...ainda hoje éramos nómadas e caçávamos para comer, não...ainda hoje...

O que é faz com que as pessoas se agarrarem ao passado de uma forma tão vincada que neguem qualquer mudança, quer nelas quer no meio envolvente? Porque é que não aceitam que, sim, foi bom, mas está na altura de fazer algo diferente, algo de novo!

O status quo é um exemplo disso. Alguém que encontra um lugar ou posição confortável e deixa de evoluír por considerar que atingiu o nirvana. O problema surge quando mais alguém quer esse lugar, ou outro superior, e tem de criar e provocar algo de novo - uma mudança. E aí, o status quo faz uso de todo o seu peso e influência para aniquilar esse processo de mudança, ao invés de se recriar também. É que a mudança dá trabalho, bolas!

Mas a mudança é o que nos faz ser grandes, é o que nos faz evoluír, é o que nos faz conhecer o mundo e os outros, mas essencialemnet a nós próprios. E não há nada mais deprimente que aquelas pessoas que não mudam nunca, que sentem um medo de arriscar e se descobrir. Que são hoje, o que eram ontem, e o que eram há 40 anos.

Todos achamos linda e maravilhosa aquela pessoa que reencontramos 30 ou 40 anos depois, e que está no mesmo sitio, com o mesmo ofício, com o mesmo estilo de roupa e na mesma posição... apenas com um aspecto mais velho, umas rugas e expressão típica da sua nova idade.
Eu, pessoalmente, acho fabuloso que algumas pessoas consigam manter essa imagem durante tanto tempo, desde que a façam com gosto e alegria.

Mas o que está aqui em jogo é que a mudança não se restringe à mudança de ofício, ou da aparência, mas sim, e acima de tudo e sem qualquer margem de recuo, à mudança do espírito, à mudança da forma de pensar e encarar as vicissitudes da vida.
Essa é que é a verdadeira mudança!

Aquela pessoa maravilhosa que reencontramos 30 ou 40 anos depois, pode parecer a mesma, mas pode ter mudado ao longo da sua vida até atingir o seu potencial máximo. Quantos de nós passamos uma vida a mudar de aparência para no fim ficarmos sempre da mesma pequena e tacanha dimensão?

As mudanças podem ser dissimuladas ou invisíveis, ou arrojadas e de mochila às costas. Podem ser meramente interiores, ou incluir piercings e tatuagens. Por vezes, uma mudança exterior ajuda uma mudança interior. Mas façam o que fizerem... ...o importante é que mudem!
Mudar muito! E, se possível, mudar bem!
Mudar pelo vosso bem e de todos os que vos rodeiam.

Mudem!


Este ano decidi fazer algumas mudanças na minha vida. Nem todas com sucesso, e nem todas chegaram a ver a luz do dia. Por vezes, mudar não é fácil, e sinto que me deixei adormercer por demasiado tempo. Mas com calma e paciência, as mudanças vão-se concretizando. E um dia olhamos para trás e vemos o quanto evoluímos e crescemos.

Esta semana, dei inicio a mais um ciclo de mudança. Um ciclo que vai durar alguns anos. Não será o último, e será acompanhado de mais mudanças ainda.

Espero, daqui a um ano, estar-vos a escrever na mesma pessoa, mas como uma renovada pessoa.



"O progresso é impossível sem mudança. Aqueles que não conseguem mudar as suas mentes não conseguem mudar nada."

George Bernard Shaw



...e para os menos progressistas:

"A life spent making mistakes is not only more honorable, but more useful than a life spent doing nothing."

George Bernard Shaw

Monday, September 22, 2008

Viagens

Da varanda de casa tenho uma linha de visão até ao horizonte. É uma sensação de pequenez quando tento alcançar com a vista aquilo que ela não alcança, e uma sensação de grandeza quando vislumbro o panorama, e sigo com os olhos as nuvens e o céu até onde se juntam ao mar e se tornam num só tom de azul esbatido.

Lá longe, ao fim do dia, vêem-se as luzes de faróis da margem sul, e algumas luzes de navios que passam por perto da costa. E quando se levanta uma leve neblina, as luzes difusas pela humidade enunciam um ar misterioso.

É daqui que escrevo muitas vezes, sentado nesta varanda a contemplar o mar, a ouvir o som das gaivotas e as ondas a bater nas rochas, como se tentassem acordar um ser adormecido pelo desgaste do tempo, de tantas vezes que batem e batem e insistem.

Agora, acompanhado por um trago de rum envelhecido e um quadrado de chocolate negro com gengibre cristalizado (chocolate de S. Tomé e Príncipe, Cláudio Corallo), penso em outros tempos que sonhava velejar mar dentro, em busca de aventuras e sonhos perdidos.

Viajar sempre foi, e é, um grande prazer que procuro exercer sempre que posso. Conhecer outras gentes e diferentes culturas é um estímulo para continuar a olhar em frente e acreditar no mundo. Faz-me gostar mais dos outros, mais de mim, e compreender melhor minha terra de origem. Mas já não me sinto português, sinto-me como Sócrates (o filósofo grego, entenda-se) que tal como ele, não me sinto português nem europeu, mas um cidadão do mundo. Sinto uma capacidade inata de me adaptar a estilos diferentes de vida, e um gosto imenso por experimentar diferentes culturas.

Poderia afirmar que é uma questão genética, quer paterna ou simplesmente da antiga raça lusitana que por esse mundo fora navegou e se estabeleceu. Mas talvez seja, simplesmente, uma condição inata desenvolvida nos tempos de vida que passei noutros locais, e do que esses locais me trouxeram.

Não sinto as raízes fortes que outras pessoas me descrevem ter, mas sinto as raízes sólidas das amizades que se foram formando com o tempo. E onde elas estiverem, é onde me sentirei mais em casa.

Bebo mais um trago deste rum, e provo mais um pedaço do chocolate negro de gengibre. Sinto a sua textura pouco suave enquanto oiço o leve som do estalar do chocolate, deixo-me levar pelo sabor envolvente de um chocolate tratado com mestria, sinto o leve picar do gengibre, e absorvo lentamente os aromas libertados enquanto o chocolate se desfaz na minha boca, gentilmente apertado entre a língua e o palato. E na combinação de todos estes sentidos, velejo mentalmente até S. Tomé e Príncipe, na busca de mais uma aventura.

Thursday, September 18, 2008

Teste de Mercado, mas pouco!!!

Não sendo este um teste rigoroso (nem pouco mais ou menos) e nem sequer fazendo uso de cálculos estatísticos, deduz-se que os participantes tém um gosto predominante pelo Chocolate de Leite, logo seguido do Negro, e aqui a parte do negro foi para mim foi uma surpresa (agradável), pois estava convencido que a grande maioria iria votar no chocolate de leite.
Enfim...estava enganado!


Resumindo a votação, temos:

1º lugar
9 votos = 40% => chocolate de leite

2º lugar
8 votos = 36% => chocolate negro

3º lugar
5 votos = 22% => chocolate muito negro

4º lugar
3 votos = 13% => chocolate branco
(para os gulosos, onde também me íncluo)


Pessoalmente, tenho preferência pelo negro, mas também aprecio o muito negro.
Gosto do branco para os momentos em que o extremo doce é uma necessidade, e o de leite para os intervalos.


Os meus agradecimentos aos participantes neste estudo.

Tuesday, September 16, 2008

REENCONTROS

A vida é feita de encontros, desencontros e reencontros. Por vezes, sem os reencontros.

As nossas vidas seguem muitas vezes caminhos traçados por vontades obscuras e incompreensíveis, mas que nos ensinam lições vitais sobre os valores da verdadeira amizade, da assimilação das formas e sentidos, do seu tempo de maturação, sem que isso abale de alguma forma a essência dos sentimentos envolvidos.

Muitas vezes damos por nós a pensar no que seria a amizade sem estas voltas e revoltas, sem estas provas desnecessárias, sem o caminho por vezes tortuoso que seguimos.

Muitas vezes nem damos pela silenciosa presença da amizade, até que olhamos para trás e verificamos que as pegadas na areia que nos antecedem não são nossas, mas da amizade que nos carregou cuidadosa e carinhosamente, com toda a compreensão e paciência muitas vezes inestimáveis.

Outras vezes a amizade é uma espera sem prazo de caducidade, que nos aguarda até ao nosso amanhecer, que nos recebe sorridente e de braços abertos, tal filho pródigo que retorna a casa.

O chocolate tem também desses encontros e desencontros, e reencontros. Tal como na vida, o chocolate pode desencontra-se a temperaturas demasiado baixas.

A temperatura ideal para a preservação do chocolate oscila entre os 17ºC e os 25ºC, consoante o tipo de chocolate, e a uma humidade relativa abaixo dos 50%. Se o chocolate for guardado fora das suas condições idiais, pode dar-se aquilo a que se chama de Blooming. Blooming compreende, na verdade, dois sub-tipos distintos - sugar-bloom e fat-bloom.

Sugar-bloom é a separação do açucar do chocolate, são pequenos cristais de açúcar, formados em conseqüência da condensação do vapor de água na superfície do chocolate, devido a mudanças bruscas de temperaturas das áreas frias para as quentes, caracterizada pela apresentação de uma camada rugosa e irregular de cor acinzentada na superfície do chocolate.

Fat-bloom é identificada pela formação de uma camada acinzentada na superfície do chocolate, de forma semelhante ao "sugar-bloom", porém, de aspecto liso e gorduroso. É a consequência da migração da gordura cristalizada em várias formas polimórficas para a superfície, devido à flutuação da temperatura de armazenamento.

O reencontro destes ingredientes num sistema equilibrado e vistoso resulta da temperagem, já sumariamente descrito no texto "Simbiose dos Corpos" deste blog, que consiste no resfriamento controlado da massa, cujo objectivo é a solidificação do chocolate pela cristalização da manteiga de cacau presente na sua forma mais estável.

Assim, se obtem uma mistura agradável, brilhante e saborosíssima.

Da mesma forma, o reencontro consciente com a amizade é um momento único e reconfortante, que também requer a devida temperagem, por forma a criar um sistema equilibrado e sólido.

A todas as minhas amizades, presentes, passadas e futuras, que me acompanharam de uma forma directa ou indirecta, presente ou distante, que me aconselharam, carregaram, aturaram e agitaram, que me esperaram sem fim, que comigo andaram, correram ou simplesmente comigo se arrastaram, que me puxaram, arrastaram e empurraram, que me incentivaram e me contrariaram, que me compreenderam e me aceitaram como sou, assim como às opções que escolhi, e que ainda aqui estão ao meu lado, de braço aberto, de uma forma presente ou platónica, o meu obrigado profundo e sentido.

A verdadeira amizade, seja de sangue ou não, é a minha companhia na minha solidão-entre-aspas.


Wednesday, September 10, 2008

Simbiose dos Corpos

A preparação do chocolate para moldagem nas múltiplas formas de bombons que nos são tão apelativas, é relativamente simples, mas requer mãos sábias e olho de mestre.

De entre as várias fases do processo, o procedimento básico e determinante é a “temperagem” do chocolate. A “temperagem” não é mais que elevar a temperatura do chocolate ao ponto deste derreter, e resfriá-lo naturalmente á temperatura da sua essência. Aplico aqui a palavra “essência” porque cada chocolate tem a sua temperatura certa, e essa temperatura é determinada pela essência do chocolate, da sua natureza, da sua personalidade. E é essa temperatura, a única que lhe confere uma perfeita harmonia entre todos os seus compostos, resultando num produto perfeito e apelativo, quer visual quer gustativo.

Neste processo, o chocolate não deverá ser aquecido a temperaturas demasiado elevadas. A diferença entre o seu ponto de fusão e o aniquilamento das suas mais frágeis e suaves fragrâncias, aquelas que lhe conferem a sua magnitude, é ténue. Não convêm sobreaquecer.

O processo de resfriamento, por outro lado, não se limita ao deixar baixar a temperatura naturalmente. È necessário mexer e misturar todo o chocolate, envolvendo-o e revolvendo-o lentamente, até que este atinja a sua temperatura essencial. Só nesse momento o chocolate está pronto para a moldagem.

Adicionalmente, a refrigeração do chocolate, assim como o seu resfriamento rápido, também destroem a perfeita harmonia dos compostos criada pela temperagem.

É um processo que requer dedicação, tempo, sabedoria q.b., e a dose certa de paixão.

No fim, termina-se com um chocolate perfeitamente temperado, de aromas complexos e subtis, de um sabor de provocar um verdadeiro êxtase.

O chocolate, quando dignamente obtido desde a Theobroma até à delícia final, é uma concentração de sabores e aromas complexos. O chocolate torna-se majestoso pelas suas qualidades e características, e ganha personalidade.

Os nossos sentimentos são assim também, complexos, recheados de subtilezas, de nuances, de pequeníssimos detalhes. Os nossos sentimentos requerem mentes sábias e abertas, olhos atentos, e corações apaixonados.

Não adianta misturá-los e revolvê-los de qualquer maneira, incendiá-los com relações sem sentido ou resfriá-los com doses de indiferença. O resultado final será sempre pobre, triste e de muito mau sabor, e por vezes repugnante.

É necessário nutri-los, compreender a sua natureza, apreender a sua essência. É preciso apanhar-lhes o sentido e deslindar os seus mistérios. Só assim se consegue determinar a sua temperatura certa, aquela que irá permitir uma perfeita simbiose entre os corpos.

Os corpos, quando se juntam, resultam num sem número de sensações. O objectivo é ter sempre boas sensações, preferencialmente arrebatadoras, daquelas que nos elevam a um patamar superior e nos fazem esquecer até quem somos. Mas não é isso que acontece na generalidade dos casos. Com alguma sorte, passamos momentos fantásticos, por vezes bastante enérgicos, mas globalmente bons. Normalmente, são momentos razoáveis, muitas vezes indiferentes, e algumas vezes desprezíveis.

Isso resulta de uma incorrecta “temperagem” dos sentimentos, e da sua relação com os nossos sentidos. A essência dos sentimentos não foi devidamente determinada, e todo o processo resultou num momento desligado, incompleto, inapropriado, desconcertado, desconexo, desencontrado.

A simbiose dos corpos só resulta de uma perfeita temperagem dos sentimentos e da sua coordenação com os nossos sentidos. Não importa que essa simbiose seja pontual ou definitiva. Essa simbiose só tem o sentimento de si se for devidamente temperada, tal como chocolate.

Tuesday, September 9, 2008

Jeanette - Beleza de um Encanto

O que é a beleza?

Será a beleza algo estritamente estético, ou o resultado de um estado de espírito?
Será a beleza puramente física, ou puramente psicológica?
Em qualquer dos casos, em que medida e forma se define a beleza?
E de que forma se estabelece a beleza entre os sexos, beleza masculina vs. beleza feminina?
Em que pontos são convergentes e divergentes?

Beleza -
algo que pela qual nos deixamos atraír (e, por vezes, traír) e pela qual nos deixamos escravizar.
Beleza - qualidade do que é lindo; qualidade do que é belo; formosura; bela mulher; coisa bela; anéis de cabelo descaídos para as faces.
Beleza - pela qual estabelecemos estereótipos, preconceitos, conceitos e virtudes.
Beleza - a traição dos sentidos.
Beleza, segundo Jeanette!

Para Joana Vasconcelos (artista plástica contemporânea portuguesa) a beleza é um sistema equilibrado com algum ruído.
Esta noção de beleza é, na minha opinião, genial.

Quando Vinicius de Moraes afirmou que “beleza é fundamental” não alinhava, com certeza, com as complexas implicações do conceito de beleza em termos de saúde, felicidade e qualidade de vida.

Beleza é uma percepção individual caracterizada normalmente pelo que é agradável aos sentidos. Esta percepção depende do contexto e do universo cognitivo do indivíduo que a observa. Através da história da humanidade, a relação com a beleza tem sido frequentemente religiosa ou mística e transcendente, logo, a beleza foi considerada muitas vezes como "aquilo que se aproxima da Divindade".

Também podemos considerar que beleza é uma unidade dentro da variedade, unidade essa que deve ser a harmonia da paz. A palavra beleza era utilizada originalmente para denominar exactidão, precisão, e eventualmente a palavra adquiriu o significado de simetria. Beleza é aquilo que vemos e que podemos interpretar de modos diferentes.

É difícil expressar em palavras o que é o "belo". Mas pode-se afirmar que a beleza é um conjunto de elementos que resultam naquilo que se considera belo. Uma das expressões utilizadas antigamente para definir a beleza feminina: "eram mulheres agradáveis aos olhos" ou "são mulheres formosas à vista". Mas esse conceito mudava consoante o "espaço" ao qual estivesse associado.

Para Leonardo Da Vinci, o modelo de beleza foi traduzido pelo quadro Mona Lisa. Para ele, e para o pensamento da época, a mulher bela tinha que preencher, literalmente, o seu 'campo de visão', ou seja, as mulheres tinham que ser 'rechonchudinhas' e trajando muitas roupas, por pressão moral.

Mas o conceito de beleza mudou ao longo dos tempos. Conhecidas, e ultimamente bastante criticadas, são as linhas actuais quase anoréxicas, pele sempre bronzeada, sem marcas, que não tém qualquer fundamento saudável nem moral, mas somente económico. Outra linha são os corpos excessivamente trabalhados por cirurgiões estéticos, produzindo corpos sem barriga, sem flacidez, com peitos XL, bem firmes, lábios carnudos, narizes perfeitos, pele esticada, sem expressões, traseiros bem medidos, etc.

Portanto, a beleza transcende a questão espacial, e entra numa dimensão temporal. Beleza é algo relativamente ligada ao tempo e ao espaço. O conceito de beleza tem variações através do contexto (época, espaço, etc).

Para alguns, a beleza não inclui somente forma física, mas também o modo de pensar de cada individuo, a maturidade, os sentimentos, o comportamento, o modo de agir em geral.

É também gerador de um certo conflito entre as pessoas, em busca do melhor, do superior. Isso também gera preconceitos, porque divide a sociedade entre "bonitos" e "feios". Na vida, na sociedade, na busca de emprego, nos relacionamentos, a “boa aparência” cada vez mais abre vantagem. Ainda que tenhamos aprendido que o que importa é a essência, na realidade a aparência, leia-se beleza, conta mais forte. E entre a percepção da aparência (imediata) e a avaliação da essência (não imediata) decorre um espaço de tempo que favorece a beleza e sobre o qual se edifica a industria da estética.

Mas o que nunca se altera são os fundamentos básicos da beleza.

Apesar de algumas alterações quanto ao gosto pessoal, a ciência mostra que há um padrão de beleza humana universal e inalterável ao longo tempo. Esse padrão é instintivo e apenas sofre pequenas alterações sob a influência da cultura, mas o que foge radicalmente desse padrão nunca foi e nunca será considerado belo, por mais que a cultura se altere. O único modo desse padrão se alterar é se a própria estrutura biológica do homem se alterar, modificando os seus instintos milenares.

A beleza também poderia ser vista como uma característica sexual secundária, surgida evolutivamente como forma de indicar ao sexo oposto que um determinado indivíduo está apto para se reproduzir e gerar filhos geneticamente saudáveis. Na sociedade moderna, a beleza é um sinónimo de sucesso: regra geral, as pessoas são muito mais atenciosas (e mesmo educadas) com indivíduos bonitos do que com os menos privilegiados nesse aspecto. Por isso, os modelos atraentes são amplamente empregados na publicidade.

Existem testes científicos que visam a definição do conceito de beleza, que passam, por exemplo, por pedir a um indivíduo que classifique uma série de fotos de desconhecidos quanto à sua beleza.

Testes como este indicam que rostos com aspecto mediano tendem a ser considerados mais atraentes do que aqueles que apresentam alguma característica muito distintiva (como um nariz ou lábios muito proeminentes, por exemplo). Da mesma forma, uma pele lisa, sem acne ou barba, também aumenta a probabilidade de um individuo ser considerado belo.

Mas isso está longe de ser um critério amplamente aceite, como indica um estudo da equipa dirigida pelo psicólogo David Perrett, da Universidade de Saint Andrews, na Escócia. Num trabalho de 1994 na revista Nature, eles mostraram que características faciais exageradas em relação à média da população podem contribuir para que um indivíduo seja considerado belo. Um exemplo disso são os grossos lábios da atriz Angelina Jolie.

Mas existem outros estudos. Um, realizado em 1999 por
pesquisadores da Universidade de Saint Andrews e liderados pelo psicólogo Ian Penton-Voak, utilizou programas de computador para adicionar atributos considerados femininos em fotos de rostos masculinos.

O resultado?
As mulheres preferem homens com características faciais associadas com o sexo masculino (como rostos mais quadrados, sobrancelhas mais pesadas e retas e lábios mais finos) durante o período fértil de seu ciclo menstrual. Já em outros períodos, as mesmas mulheres tendem a considerar mais atraentes homens com rostos com características mais femininas.
Mais à frente, o estudo indica que
o odor dos hormônios sexuais masculinos é desagradável para as mulheres, excepto durante o período em que elas estão férteis.

Estudos diferentes podem apontar para conclusões diferentes. Existe uma ampla gama de factores que podem influenciar os resultados finais. Mas as conclusões, sejam de que estudo forem, não deixam de ser curiosas.


Em inicios de Agosto de 1985, tinha eu 14 anos, viajei para o Lesotho, um pequenho país no seio da África do Sul. Um país do terceiro mundo, com cerca de um milhão e meio de habitantes. A casa onde vivi durante os três anos que se seguiram tinha uma empregada doméstica chamada Jeanette, que trabalhava de 2ª a Sábado. Chegava a casa antes do pequeno almoço, que era por volta das 7 da manhã, e saía por volta das 17 horas da tarde (se não me falha a memória).

Quando conheci a Jeanette achei-a...bem, feia!, porém simpática. A Jeanette tinha quarenta e tal anos, não sei precisar se mais ou menos de 45, e tinha uma filha adolescente (bonitinha). O corpo era razoável (desculpem-me as leitoras deste meu sentido mais frio e machista), mas nada de especial. No entanto, tinha um peito de fazer inveja a muitas mulheres de 20 anos. Não eram grandes, nem pequenos, eram bem medidos, e bem redondos, pelo menos quanto o sotien e o vestido deixavam delinear. Mas a cara da Jeanette era feia. Uma cara muito pouco estética, demasiado marcada pelas expressões e dificuldades da vida. Fazia-me lembrar a rede de uma raquete de ténis, mas com buracos
bem mais largos. Aquela mulher era feia, e pronto! Foi o meu pensamento quando a conheci. Mas simpática!

Ao longo dos dias em que convivi com ela (pequeno almoço, almoço e lanche) fui conhecendo a sua maneira de ser. Confirmou-se a sua simpatia, mas também era bem disposta, muito divertida, afável, carinhosa e preocupada. Era fanática por futebol (mas mesmo, mesmo fanática!...ao extremo...e quando descobri este lado dela, de vez em quando ligava uma estação de rádio com um jogo qualquer na África do Sul que procurava ao acaso...e aquela mulher transformava-se... ...os gestos, as expressões, a vibração com o jogo, os saltos, a tensão dos momentos de golo, e eu ria-me, e ela ria-se de volta para mim, e das figuras que fazia). Levava a sua religião muito a sério (não me recordo qual era, mas não podia comer carne de porco, de entre outras coisas. Por vezes discutia com ela sobre isso, mas em vão...não só não tinha argumentos suficientes como estava a lutar contra uma fé determinada). Era uma pessoa perspicaz para algumas coisas, mas genericamente ingénua para muitas outras.

Ao fim de um tempo, muito pouco tempo, olhei para ela e achei-a... ...bonita. Bonita?????! Estás louco???
Nessa altura o conceito de beleza bateu-me na cabeça que nem martelo numa bigorna!
Sim...bonita! Não sabia explicar mas já não via aquela rede de raquete, aquela cara feia com expressões vincadas. A Jeanette tornou-se bonita aos meus olhos!

Antes de mais, quero esclarecer uma coisa...não houve, em momento algum, qualquer espécie de factor erótico por detrás desta conclusão de beleza. Porque é que digo isto? porque é possível considerar alguém bonito fora dessa dimensão. Considerei-a bonita como pessoa, e não como possivel ou imaginária personagem erótica, e essa minha consideração de beleza deturpou de forma positiva a minha visão física do corpo.

Infelizmente, não fiquei com nenhuma fotografia dela para memória futura. Via-a a última vez há 20 anos (1 de Agosto de 1988), que foi quando retornei a Portugal. Mas lembro-me dela com saudade, e com beleza, porque marcou a minha forma de interpretar a beleza em geral.

Obviamente, já tinha passado por experiências semelhantes antes de a conhecer. Mas nunca tinham sido tão marcantes e, por isso, passaram-me sempre despercebidas. Eu achava alguém bonito ou feio e pronto, não questionava o porquê.

O conceito de beleza que tenho hoje é variável, mas é indubitavelmente influenciado pelo meu conhecimento da pessoa como ser social e psicológico, e menos como pessoa física. Não tem nada a haver com a Jeanette, ela foi simplesmente um despertar para outras evidências bem mais importantes na minha avaliação de beleza - a alma da pessoa.

Não sou nenhum santinho...a primeira coisa que avalio em alguém é o aspecto físico e a sua aparência. É escusado tentar não o fazer. É mais forte que eu. Qualquer "boazona" (e aqui o conceito de boazona é muito alargado) que se cruze por mim na rua pode-me fazer virar a cabeça...confesso-o!

Os primeiros atributos que me atraiem numa mulher são quase sempre físicos.
Pode ser qualquer coisa, ou um conjunto de coisas.
Pode ser...
...magra ou gorda,
...alta ou baixa,
...loira, morena ou ruiva,
...branca, negra, mulata, amarela...
...etc.

Mas pode haver qualquer pormenor físico que me chama a atenção...
...tom de voz,
...olhos,
...mãos,
...cabelos,
...pescoço,
...peito,
...braços,
...barriga,
...pernas,
...tornozelos,
...pés,
...ouvidos,
...aqueles pequenos cantos,
...determinadas curvas,
...pormenores por vezes dissimulados,
...uma veia num determinado sitio, ...
...um sem número de pormenores, ou conjunto deles.

Logo de seguida, quase de imediato, vem uma avaliação superficial quanto aos...
...gestos,
...olhares,
...maneira de falar,
...andar,
...vestir...
...e depois as actividades,
...os interesses,
...o modo como encara a vida, as pessoas, os incidentes,
...as alegrias,
...as tristezas...
...mais tarde começa um conhecimento mais profundo...
...da sua forma de pensar,
...de agir,
...de estar só,
...de estar acompanhada,
...os projectos de vida,
...e não tarda nada, o conceito de beleza dessa pessoa altera-se completamente face ao conceito inicial...
...tornando-a mais bonita,
...ou mais feia,
...ou simplesmente indesejável,
...por vezes até desprezível (mesmo que tenha um corpão de coelhinha playboy, não que este seja o meu estereotipo ideal).

Eu sei que, dando tempo ao tempo, à convivência com essa pessoa, a visão que faço dela em termos de beleza quando a conheço pode mudar drasticamente, consoante a sua personalidade e modo de estar na vida.

Aprendi isso com a Jeanette.
Tenho saudades da Jeanette...pergunto-me como estará hoje, e se ainda vibra pelo futebol como dantes.
Mas tenho a certeza de que continua bela, porque essa beleza não tem idade...é intemporal!


Algumas fontes/créditos:

Joana Vasconcelos - http://tsf.sapo.pt/podcast/files/pet_20080808.mp3
Dicionários Priberam
Wikipedia
Insituto Ch - Ciência Hoje - http://cienciahoje.uol.com.br/91845
Tommaso Psicologia - http://tommaso.psc.br/html/estetc/estetc3.htm
Didáctiva Editora - A Arte de Pensar - http://aartedepensar.com/leit_gosto.html

Friday, September 5, 2008

As Mulheres Preferem o Chocolate aos Homens?



Está dado o mote...
...é chocolate, é homem,
ou
uma cuidada combinação dos dois?


Existem imensos artigos e opiniões sobre o assunto. Não vale apena estar agora a enumerá-los ou colocar os respectivos links...basta digitar as palavras "chocolate", "homens" e "sexo" num qualquer motor de busca para descobrir dezenas de artigos e opiniões sobre este assunto.

Eu tenho a minha opinião, mas só vale por mim e não tem qualquer representação expressiva da maioria. Além disso, prefiro mulheres. É uma fraqueza minha, que hei-de fazer?

Algumas mulheres afirmam (afirmam...mas será a realidade?) que preferem o chocolate a qualquer homem. Claro que muitas delas também dizem que não dispensam uma boa dose de sexo, intenso e orgásmico, mas o hocolate...provoca-lhes uma grande excitação. Ainda há pouco descobri um blog onde a respectiva bloguista referia que...entre 10 mihnutos de prazer carnal com um homem e um bom pedaço de chocolate, não hesitaria por um só segundo - Chocolate! Afirma que o prazer durará garantidamente mais do que os tais 10 minutos.

Outras mulheres também não hesitam na escolha oposta... ...Chocolate vs. Homem??? Mas qual é a dúvida? Posso conseguir um pedaço de chocolate a qualquer hora e quase em qualquer lugar. Um homem já é algo diferente.
E sexo?
...bem, nem vale a pena começar por descrever...

Na verdade, ninguém (ou quase ninguém...não podemos esquecer os celibatários, e não me refiro somente a religião) dispensa sexo. Sexo faz parte da natureza humana.


O que se diz do sexo?

  • que liberta endorfinas, responsáveis por diminuírem o stress, levando a um estado de felicidade,
  • que contribui para a diminuição das enxaquecas por causa da dilatação dos vasos sanguíneos (será que afinal elas estavam a querer sexo e não o contrário, quando se queixavam da dôr de cabeça?),
  • aumenta os anti-corpos, ajudando na defesa contra gripes e afins,
  • pode ajudara esquecer os problemas (então é por isso que...haaaa!), porque a oxitocina, que é desencadeada pelo orgasmo, tem um efeito amnésico que
    pode ajudar a esquecer os problemas, e pode durar até cerca de 5 horas. As mulheres têm uma vantagem adicional, durante o orgasmo as partes do cérebro que gerem o medo, ansiedade, e o stress são desligadas (só que fingir o orgasmo não tem o mesmo efeito…ok?),
  • ajuda a dormir melhor (a quem o dizes!!!),
  • melhora os dentes? dizem...que é muito melhor que uma pasta de dentes, o plasma seminal em contacto com os dentes previne as cáries dentárias,
  • porque contém zinco, cálcio e outros minerais importantes para a prevenção das cáries (e esta, hein?).
  • pode ser um tratamento de beleza. Quando uma mulher faz sexo o nível de estrogénio no corpo dela duplica, tornando a pele mais macia e o cabelo mais brilhante (ora bem...já me estou a ver com o nome de um shampô na testa),
  • as hormonas de estrogénio libertadas enquanto se tem sexo, contribuem para proteger o coração, bem como ajudam a prevenir a doença de Alzheimer e a osteoporose (enquanto a testosterona fortalece os ossos e os músculos),
  • a saúde mental e emocional é indubitavelmente influenciada pelo sexo. A abstinência é fonte de ansiedade, paranóia e depressão. De facto, no caso de uma leve depressão, o corpo logo depois do sexo liberta endorfinas, responsáveis por diminuírem o stress, levando a um estado de felicidade (hum...a considerar também),
  • é um inibidor da dor: mesmo antes do orgasmo, os níveis das hormonas de oxitocina aumentam cerca de 5 vezes mais, levando a uma libertação de endorfinas,
  • isto tudo, para além de ser um óptimo exercício, provocar perda de calorias, melhorar o nosso amor próprio...



E sobre o chocolate?


Alguns dos sintomas acima são igualmente atribuídos ao chocolate (entenda-se, chocolate forte em cacau, e não produzido industrialmente, ou cuja produção industrial seja cuidada e não danifique as suas propriedades. Já agora, podem existir más produções artesanais também...cuidado com os embustes).

Diz-se que:
  • contem antioxidantes, o que ajuda a prevenir problemas de coração,
  • contem potássio, magnésio e cálcio (isto deve ser bom para alguma coisa, mas o artigo não explicava).
  • a sua gordura não contribui para o colesterol (ok, mas isto não é um
    benefício, é uma vantagem para quem gosta de comer chocolate. Além disso, já foi descrito num post anterior),
  • aumenta a produção de serotonina, um antidepressivo natural (boa!),
  • aumenta a libertação de endorfinas, responsáveis por diminuírem o stress, levando a um estado de felicidade (e já li isto onde?),
  • liberta os mesmos químicos no nosso organismo de quando nos apaixonamos,
  • faz bem à pele (como tratamento estético...e aqui estamos a falar de co-mer!)
  • alguns estudos dizem que, na verdade, ajuda a perder peso (esta até eu tenho dificuldade em engulir) A razão é a seguinte: é um supressor natural de apetite. Diz-se que contem químicos que bloqueiam o desejo por doces, e que contribui para a diminuição do ciclo vicioso de comer muito!
  • beneficia os dentes, porque contem (e aqui vou colocar alguns termos em inglês) polyphenols, flovonoides e tannins, que são substâncias chave para a saúde dental,
  • pode ainda reduzir o nível de bactérias na boca, aliviar sangramento da gengiva, melhorar o hálito e reduzir o risco de cavidades,
  • reduz a pressão arterial, por causa dos flavonoides (assim como alguns frutos, vegetais, chá e vinho tinto),

Mas... ...essencialmente as pessoas,
e aqui, as mulheres, comem
chocolate porque...

...porque sabe bem!


Mesmo muito bem!



Então...temos grandes beneficios em ambas as escolhas...chocolate e homens (com a finalidade de...sexo, está claro!). No caso do artigo aqui em discussão, sexo com homens, mas podemos (e devemos) considerar sexo com mulheres também...
...afinal, sexo é sexo, e não vale estarmos aqui com discriminações sem sentido.






Outra opção, é tirarmos o proveito do chocolate e apreciarmos, deliciarmo-nos, gozarmos intensamente, aqueles pedaços de chocolate negro de que tanto gostamos,. E depois, aí sim, sexo (parece-me bem) . E com essa sessão de sexo, eliminámos uma boa dose de calorias (excelente!).


O melhor de dois mundos.
Mas isto sou eu...e a minha modesta opinião.

Qual é a vossa?...