Saturday, December 27, 2008

Borboletas

As borboletas são inspiradoras.

Podem ser bonitas, feias, ou nem por isso esteticamente relevantes. Podem desencadear espanto, admiração, alegria ou simplesmente uma agradável sensação de leveza e harmonia.

Os gregos da antiguidade acreditavam que a alma de uma pessoa, que abandonava o corpo após a morte, se tornava numa borboleta.

As borboletas são sinónimo de várias situações, sinónimo de mudança pela sua metamorfose, de feminilidade pela sua aparente fragilidade (e isto porque, culturalmente, quer se goste ou não, concorde ou discorde, a fragilidade ainda se encontra intimamente ligada à mulher), sinónimo também de sensibilidade pela sua leveza e forma, de beleza pela sua combinação de cores, tons e formas gráficas muitas vezes absolutamente incríveis...

A minha favorita continua a ser a borboleta azul, da América latina central. Não sendo preenchida de glamour com panóplias de cores e desenhos vários, tem um tom azul hipnotizante, brilhante, e erradia algo de absolutamente fantástico e misterioso. É enorme, para o que estamos habituados a ver numa borboleta, e vê-la ao vivo no seu habitat natural foi uma experiência com uma sensação bastante tranquilizadora. E nunca encontrei uma fotografia que lhe fizesse justiça.

No entanto, julgo que o aspecto mais relevante numa borboleta é a sua total metamorfose, e todas as etapas que passa ao longo da sua vida. A borboleta passa por quatro estágios, desde o ovo, à larva, a pupa (ou casulo) e a fase adulta. Na passagem por estas quatro fases a borboleta tem hábitos, formas e dietas totalmente diferentes. O seu ciclo de vida pode ser desde um mês até um ano, consoante as espécies. E quanto à fragilidade, esta pode viajar por mais de 3.000 km sem parar, com todas as contrariedades meteorológicas já conhecidas.

A metamorfose é a inspiração mais relevante na minha opinião, a mais significativa, a que mais nos move e atrai. É a demonstração de mudança de um estágio para outro, seja ele qual for, psicológico ou físico, profissional ou pessoal, culminando em algo absolutamente belo e complexo ao mesmo tempo, mas de uma simplicidade contraditória. E nós, como seres humanos pensadores (ou supostamente) tendemos a usar de metáforas para descrevermos ou exemplificarmos a nossa própria necessidade, ou desejo, de mudança, através das mudanças que presenciamos no mundo que nos circunda.

E a sensação de liberdade e harmonia que esta mudança induz, é a mais cativante...

video
de: Raphael Ibanez de Garayo

Nota: quem não conseguir ver aqui, dirija-se a http://www.raphaelibanez.com/
Basta escolher a opção "Short Films/Doc", e depois a segunda imagem da primeira fila.

Sunday, November 16, 2008

Pinguins vs. Humanidade

Esta semana adquiri mais um livro de fotografias. Este foi mais um do Frans Lanting. O livro chama-se Penguin, e trata-se de um trabalho fotográfico sobre as diversas espécies de pinguins, de como vivem, do seu meio envolvente, dos seus hábitos, ou melhor dizendo, daqueles que são passíveis de serem retratados em fotografia.

Como excelente fotógrafo que é o Frans, não posso deixar de ficar maravilhado ao folhear este pequeno livro, não só pela excelente qualidade fotográfica como, e principalmente, pela forma quase humana com que os pinguins se vêm retratados.

As imagens demonstradas dão-nos a sensação de que estas pequenas aves têm comportamentos a que estamos só habituados a ver em seres humanos. Ou então, talvez os papeis se estejam a inverter, e nós, ditos seres humanos, estejamos a perder a nossa essência humana.

E invertendo-se a humanidade da nossa essência, talvez o restício de saudosismo que ainda conservamos nos leve a agraciar estes pequenos gestos nos demais seres animais que nos rodeiam com tremendas reverências de humanidade, quando na verdade são gestos normais entre seres sociais que se estimam e de entre os quais se dependem.

E pensar que a nossa humanidade, aquela que tanto defendemos como supra-racial, é também a força destruídora dos habitats destas fantásticas aves, assim como de tantos outros animais e insectos neste mundo.


Seremos assim tão humanos?

Wednesday, November 5, 2008

Paixão pelo trabalho?...

A paixão pelo trabalho é imperativa?

Numa altura em que muito se discute sobre a competitividade, produtividade, as condições de trabalho, métodos organizacionais, estratégias empresariais e crises económicas, não estaremos a negligenciar o mais importante?

No meio de tantas teorias e reorganizações, muitas vezes esquecemo-nos daquele factor x, ou subestimamos a sua importância, que é aquele que verdadeiramente nos impulsiona a ser brilhantes e a fazer toda a diferença. Levantamo-nos de manhã cedo (pelo menos alguns), cumprimos todos os rituais e obrigações, deslocamo-nos para o local de trabalho, assimilamos obstáculos, problemas e dificuldades, encontramos soluções, discutimos estratégias, implementamos normas e, por fim, voltamos a casa (pelo menos alguns), para aquele ambiente familiar e, normalmente, reconfortante, contentes por ter sobrevivido mais um dia, e cooperado para mais um passo em frente no que quer que seja em que nos vejamos envolvidos profissionalmente. Os dias passam, e ao fim de algum tempo passamos os dias como máquinas, fiel a metodicamente a executar todas as nossas funções profissionais, tipo robots programados para todas as eventualidades, prejuízos e sucessos alcançados, e por fim lá nos tornamos resistentes à mudança, àquele pequeno abalo na nossa rotina quotidiana.

No entanto, algo de mágico sucede com constante ocorrência quando nos envolvemos em projectos pessoais, sejam estes de carácter lúdico ou não. Tornamo-nos mais pró activos, mais dispostos à mudança, menos exaustos, mais enérgicos, e questionamos, sempre, se não poderemos melhorar o que estamos a fazer, seja essa melhoria meramente processual ou até técnica. Encontramo-nos em constante recriação, e sentimo-nos bem por isso.

A ideia de que o local de trabalho é algo mecânico e muito sério é, simplesmente, retrógrada. E apesar disso, é precisamente essa a ideia que vinga, entenda-se como aplicação prática como norma, na maioria dos casos.

Afinal, não será a nossa criatividade, o nosso pequeno génio, as constantes mudanças, que dão origem às melhores performances? Não será a paixão que nos faz conseguir tudo isso? Hoje, ainda muitas empresas aplicam normas demasiado rígidas tornando-nos todos iguais, e muito desapaixonados. É diminuto o investimento no seu capital mais valioso, e o incentivo a uma atitude corporativa clonada é desmesurada. Por um lado compreende-se essa estratégia de gestão de pessoal, mas algo de muito valioso se perde no capital humano.

Por coincidência, quando criava este artigo, estava a decorrer no Centro de Congressos do Estoril o SAP Business Forum, onde um dos oradores convidados foi o Gary Hamel (www.garyhamel.com). Assim, decidi substituir a conclusão deste artigo por uma ideia deixada por este especialista da estratégia empresarial, no início da sua intervenção no evento.

O que é que os gestores de topo mais procuram nos seus colaboradores? Obdiência, inteligência e diligência. Mas a verdade é que tudo isso também se consegue obter de um cão!

A diferenciação entre as pessoas pela obdiência, inteligência e diligência é dificil de se atingir. Por forma a que se consiga derrotar a popularização, a perda de diferenciação, as empresas vêem-se obrigadas a disponibilizar um valor único aos seus clientes, que só pode ser conseguido através de colaboradores com iniciativa, criatividade e zelo pela sua profissão no seu dia-a-dia.



Thursday, October 30, 2008

Passado vs Futuro vs Presente

Em sintonia com os tempos que vivemos, e com a experiência do passado, algo me diz que deverei ter cautela e pensar no futuro. Dizem-me alguns que o seguro morreu de velho, mas eu acho que ele ainda anda por aí... ...e não mostra ares de quem definha.

Penso actualmente até que ponto me deverei conter, pensar no amanhã, e reservar as minhas energias para um dia chuvoso. Penso, também, que um dia serei velho e caduco, que vou olhar para trás, e ver uma vida de espera e reserva, de planos feitos e seguidos a pormenor, ou nem tanto porque nunca fui assim organizado e metódico, mas sem risco de grandes euforias, sem rebaldaria nem sentimentos efusivos, mesmo que por breves instantes.

Penso, e agora que me deu para pensar o melhor é aproveitar antes que a vontade se acabe, que um dia estarei a contar as minhas histórias a alguém, e pouco terei a acrescentar de útil e divertido.

E assim, como deveremos pesar o nosso passado e o nosso futuro, nas nossas escolhas presentes?

Em sintonia com os tempos que vivemos, e com a experiência do passado, algo me diz que não há seguro, não há certezas, e não há chuva que não dê em bonanza.

E assim, porquê esperar um futuro quando podemos viver o presente?

Tuesday, September 30, 2008

Mudanças (cont.)

As mudanças assustam, colocam-nos à prova.
E quem não sente algum desconforto por ser posto à prova?

Se estagnarmos, nada mudamos.
Se não arriscarmos, definhamos.
Se  não mudarmos, morremos.


Afinal, e no fim de contas, acabamos por gostar de mudar.
Mas nem sempre se muda bem.


Nada se perde, tudo se transforma.
É a base de tudo o que nos circunda. Tudo o que desaparece, desaparece realmente?
Quando se morre, transformamo-nos em algo diferente, que dará vida a outras vidas.
É uma mudança constante.

Há livros e livros, textos e discursos, notas e apontamentos, sobre a mudança e formas de mudar. Conselhos e técnicas, modelos de risco e planos de acção. Mas no fundo, o importante é que mudamos, quer queiramos ou não. Por vezes, por obrigação imposta (a forma mais dificil) e outras por opção ou antecipação (as mais harmoniosas). Mas mudamos, mesmo aqueles que dizem que não mudam nunca!
A mudança é cada vez mais importante no mundo veloz em que vivemos, e apreendermos essa realidade é uma mais valia para enfrentar os desafios que nos são colocados diariamente.
Por vezes, à falta de queijo, temos de comer só o pão, mas noutras vezes podemos experimentar com azeite e orégãos, ou manteiga e alho, ou... ..e temos novas receitas saborosas para variar.

A mudança faz-nos ver para lá do horizonte, e compreeder que afinal o nosso mundo não é só esta cor, mas também outras cores. Dá-nos um outro lado, e liga-nos a outros caminhos. E, por fim, olhando para trás, vemos toda a lógica desse caminho como nunca teriamos sido capazes se não mudassemos.

Mudemos todos, mudemos sózinhos, e mudemos em conjunto... ...mudemos juntos, pois juntos faremos uma revolução!

Avancemos para lá do escuro, para lá do horizonte, para lá dos cumes que arranham os céus.
Com medo ou sem ele, mas com determinação.
Enfrentemos esse descnhecido, sorriremos na sua presença, e faremos dele um nosso amigo!
E, se bem virmos as coisas, até os burros acabam por mudar de direcção.


Mudem, mudemos!
Movimento pela mudança.




Obrigado pelos comentários no post "Mudanças".




Monday, September 29, 2008

desCultura

A forma como vivemos é muitas vezes um engodo ao nosso estímulo intelectual.

Procuramos coisas sem interesse num pretexto de interesse cultural inexistente, damos atenção a coisas desinteressantes em prol de um tempo bem passado mas que no fundo não passa de um desleixo psicológico, dizemos que precisamos descansar quando do que sofremos é de uma preguiça mental descomunal.

Afinal, o que é cultura e interesse, e o que é realmente descanso e tempo bem passado?

Numa altura em que a cultura se bebe da world wide web sem quaisquer limites nem custos exorbitantes, quase ao alcance de qualquer um... ...mas só quase, é um absurdo ver como se fala e escreve tão mal, mas pior que isso, é ridicula a forma como as ideias se encontram estruturadas, ou melhor dizendo, destruturadas, e é ainda pior ver sobre o que realmente se escreve e discute.
Mas não existirá nada de mais interessante?

É verdade que a web tem muita desinformação, provavelmente mais lixo que qualidades, mas ainda assim, é um mundo de riquezas limitadamente infindáveis.

Sería compreensível ver falta de cultura antes desse tempo, em que era complicado levar o conhecimento às pessoas. Mas hoje, esse conhecimento está ao alcance de um click, e no entanto, esse click serve para tudo menos informação consistente e com qualidade.

Não pretendo dar a entender que sou um erudito e que tenho uma cultura elevadíssima que me distingue dos restantes. Não sou! Padeço, como muitos, de uma boa dose de preguiça mental e de alguma física também. Mas isso só me faz pensar como realmente muitas pessoas são pequenas de espírito, por conseguirem ser ainda tão piores que eu.

Estará este mundo assim tão perdido, ou será que temos nós, os outros, a mania da cultura?

Será a nossa cultura é melhor que a dos restantes, ou cada cultura, seja ela qual for, tem o mesmo valor?

Entenda-se aqui a palavra "cultura" não como aquela que distingue os povos e as suas tradições, mas aquela que distingue preferências actuais, tais como programas do tipo Reality Life, revistas cor de rosa, revista especializadas, livros diversos, técnicos, museus, teatro, concertos....

Wednesday, September 24, 2008

MUDANÇAS

Há momentos de mudança.

Momentos em que, mesmo não apetecendo, lá terá de ser.
Momentos em que, mesmo não querendo, não há volta a dar.
Mas também momentos em que se quer, efectivamente, mudar.

O problema com a mudança é que, por vezes, sabemos para onde e como queremos mudar, mas não conseguimos, como se algo mais forte nos agarrasse ao chão e nos prendesse as pernas e nos toldasse o espírito. Mas também há outras vezes em que não sabemos para onde nem como mudar, mas sabemos que, ainda assim, queremos e temos de mudar.

A mudança trás vantagens, revela-nos quem realmente somos, realça aspectos da nossa personalidade até aí desconhecidos. Coloca-nos desafios, coloca-nos perante obstáculos, por vezes até intransponíveis, ou aparentemente, mas faz-nos crescer e desenvolve a nossa criatividade. A mudança também trás dissabores, cansaço, exaustão, uma insegurança constante, medos e receios, abre feridas, e parte-nos a alma.

Mas o que seria de nós sem mudança?
Ainda hoje andaríamos a navegar em náus em vez de aviões, não...ainda hoje não tinhamos descoberto o chocolate e assim desconhecíamos o prazer reconfortante de um chocolate quente numa noite fría e húmida de inverno, não...ainda hoje éramos nómadas e caçávamos para comer, não...ainda hoje...

O que é faz com que as pessoas se agarrarem ao passado de uma forma tão vincada que neguem qualquer mudança, quer nelas quer no meio envolvente? Porque é que não aceitam que, sim, foi bom, mas está na altura de fazer algo diferente, algo de novo!

O status quo é um exemplo disso. Alguém que encontra um lugar ou posição confortável e deixa de evoluír por considerar que atingiu o nirvana. O problema surge quando mais alguém quer esse lugar, ou outro superior, e tem de criar e provocar algo de novo - uma mudança. E aí, o status quo faz uso de todo o seu peso e influência para aniquilar esse processo de mudança, ao invés de se recriar também. É que a mudança dá trabalho, bolas!

Mas a mudança é o que nos faz ser grandes, é o que nos faz evoluír, é o que nos faz conhecer o mundo e os outros, mas essencialemnet a nós próprios. E não há nada mais deprimente que aquelas pessoas que não mudam nunca, que sentem um medo de arriscar e se descobrir. Que são hoje, o que eram ontem, e o que eram há 40 anos.

Todos achamos linda e maravilhosa aquela pessoa que reencontramos 30 ou 40 anos depois, e que está no mesmo sitio, com o mesmo ofício, com o mesmo estilo de roupa e na mesma posição... apenas com um aspecto mais velho, umas rugas e expressão típica da sua nova idade.
Eu, pessoalmente, acho fabuloso que algumas pessoas consigam manter essa imagem durante tanto tempo, desde que a façam com gosto e alegria.

Mas o que está aqui em jogo é que a mudança não se restringe à mudança de ofício, ou da aparência, mas sim, e acima de tudo e sem qualquer margem de recuo, à mudança do espírito, à mudança da forma de pensar e encarar as vicissitudes da vida.
Essa é que é a verdadeira mudança!

Aquela pessoa maravilhosa que reencontramos 30 ou 40 anos depois, pode parecer a mesma, mas pode ter mudado ao longo da sua vida até atingir o seu potencial máximo. Quantos de nós passamos uma vida a mudar de aparência para no fim ficarmos sempre da mesma pequena e tacanha dimensão?

As mudanças podem ser dissimuladas ou invisíveis, ou arrojadas e de mochila às costas. Podem ser meramente interiores, ou incluir piercings e tatuagens. Por vezes, uma mudança exterior ajuda uma mudança interior. Mas façam o que fizerem... ...o importante é que mudem!
Mudar muito! E, se possível, mudar bem!
Mudar pelo vosso bem e de todos os que vos rodeiam.

Mudem!


Este ano decidi fazer algumas mudanças na minha vida. Nem todas com sucesso, e nem todas chegaram a ver a luz do dia. Por vezes, mudar não é fácil, e sinto que me deixei adormercer por demasiado tempo. Mas com calma e paciência, as mudanças vão-se concretizando. E um dia olhamos para trás e vemos o quanto evoluímos e crescemos.

Esta semana, dei inicio a mais um ciclo de mudança. Um ciclo que vai durar alguns anos. Não será o último, e será acompanhado de mais mudanças ainda.

Espero, daqui a um ano, estar-vos a escrever na mesma pessoa, mas como uma renovada pessoa.



"O progresso é impossível sem mudança. Aqueles que não conseguem mudar as suas mentes não conseguem mudar nada."

George Bernard Shaw



...e para os menos progressistas:

"A life spent making mistakes is not only more honorable, but more useful than a life spent doing nothing."

George Bernard Shaw

Monday, September 22, 2008

Viagens

Da varanda de casa tenho uma linha de visão até ao horizonte. É uma sensação de pequenez quando tento alcançar com a vista aquilo que ela não alcança, e uma sensação de grandeza quando vislumbro o panorama, e sigo com os olhos as nuvens e o céu até onde se juntam ao mar e se tornam num só tom de azul esbatido.

Lá longe, ao fim do dia, vêem-se as luzes de faróis da margem sul, e algumas luzes de navios que passam por perto da costa. E quando se levanta uma leve neblina, as luzes difusas pela humidade enunciam um ar misterioso.

É daqui que escrevo muitas vezes, sentado nesta varanda a contemplar o mar, a ouvir o som das gaivotas e as ondas a bater nas rochas, como se tentassem acordar um ser adormecido pelo desgaste do tempo, de tantas vezes que batem e batem e insistem.

Agora, acompanhado por um trago de rum envelhecido e um quadrado de chocolate negro com gengibre cristalizado (chocolate de S. Tomé e Príncipe, Cláudio Corallo), penso em outros tempos que sonhava velejar mar dentro, em busca de aventuras e sonhos perdidos.

Viajar sempre foi, e é, um grande prazer que procuro exercer sempre que posso. Conhecer outras gentes e diferentes culturas é um estímulo para continuar a olhar em frente e acreditar no mundo. Faz-me gostar mais dos outros, mais de mim, e compreender melhor minha terra de origem. Mas já não me sinto português, sinto-me como Sócrates (o filósofo grego, entenda-se) que tal como ele, não me sinto português nem europeu, mas um cidadão do mundo. Sinto uma capacidade inata de me adaptar a estilos diferentes de vida, e um gosto imenso por experimentar diferentes culturas.

Poderia afirmar que é uma questão genética, quer paterna ou simplesmente da antiga raça lusitana que por esse mundo fora navegou e se estabeleceu. Mas talvez seja, simplesmente, uma condição inata desenvolvida nos tempos de vida que passei noutros locais, e do que esses locais me trouxeram.

Não sinto as raízes fortes que outras pessoas me descrevem ter, mas sinto as raízes sólidas das amizades que se foram formando com o tempo. E onde elas estiverem, é onde me sentirei mais em casa.

Bebo mais um trago deste rum, e provo mais um pedaço do chocolate negro de gengibre. Sinto a sua textura pouco suave enquanto oiço o leve som do estalar do chocolate, deixo-me levar pelo sabor envolvente de um chocolate tratado com mestria, sinto o leve picar do gengibre, e absorvo lentamente os aromas libertados enquanto o chocolate se desfaz na minha boca, gentilmente apertado entre a língua e o palato. E na combinação de todos estes sentidos, velejo mentalmente até S. Tomé e Príncipe, na busca de mais uma aventura.

Thursday, September 18, 2008

Teste de Mercado, mas pouco!!!

Não sendo este um teste rigoroso (nem pouco mais ou menos) e nem sequer fazendo uso de cálculos estatísticos, deduz-se que os participantes tém um gosto predominante pelo Chocolate de Leite, logo seguido do Negro, e aqui a parte do negro foi para mim foi uma surpresa (agradável), pois estava convencido que a grande maioria iria votar no chocolate de leite.
Enfim...estava enganado!


Resumindo a votação, temos:

1º lugar
9 votos = 40% => chocolate de leite

2º lugar
8 votos = 36% => chocolate negro

3º lugar
5 votos = 22% => chocolate muito negro

4º lugar
3 votos = 13% => chocolate branco
(para os gulosos, onde também me íncluo)


Pessoalmente, tenho preferência pelo negro, mas também aprecio o muito negro.
Gosto do branco para os momentos em que o extremo doce é uma necessidade, e o de leite para os intervalos.


Os meus agradecimentos aos participantes neste estudo.

Tuesday, September 16, 2008

REENCONTROS

A vida é feita de encontros, desencontros e reencontros. Por vezes, sem os reencontros.

As nossas vidas seguem muitas vezes caminhos traçados por vontades obscuras e incompreensíveis, mas que nos ensinam lições vitais sobre os valores da verdadeira amizade, da assimilação das formas e sentidos, do seu tempo de maturação, sem que isso abale de alguma forma a essência dos sentimentos envolvidos.

Muitas vezes damos por nós a pensar no que seria a amizade sem estas voltas e revoltas, sem estas provas desnecessárias, sem o caminho por vezes tortuoso que seguimos.

Muitas vezes nem damos pela silenciosa presença da amizade, até que olhamos para trás e verificamos que as pegadas na areia que nos antecedem não são nossas, mas da amizade que nos carregou cuidadosa e carinhosamente, com toda a compreensão e paciência muitas vezes inestimáveis.

Outras vezes a amizade é uma espera sem prazo de caducidade, que nos aguarda até ao nosso amanhecer, que nos recebe sorridente e de braços abertos, tal filho pródigo que retorna a casa.

O chocolate tem também desses encontros e desencontros, e reencontros. Tal como na vida, o chocolate pode desencontra-se a temperaturas demasiado baixas.

A temperatura ideal para a preservação do chocolate oscila entre os 17ºC e os 25ºC, consoante o tipo de chocolate, e a uma humidade relativa abaixo dos 50%. Se o chocolate for guardado fora das suas condições idiais, pode dar-se aquilo a que se chama de Blooming. Blooming compreende, na verdade, dois sub-tipos distintos - sugar-bloom e fat-bloom.

Sugar-bloom é a separação do açucar do chocolate, são pequenos cristais de açúcar, formados em conseqüência da condensação do vapor de água na superfície do chocolate, devido a mudanças bruscas de temperaturas das áreas frias para as quentes, caracterizada pela apresentação de uma camada rugosa e irregular de cor acinzentada na superfície do chocolate.

Fat-bloom é identificada pela formação de uma camada acinzentada na superfície do chocolate, de forma semelhante ao "sugar-bloom", porém, de aspecto liso e gorduroso. É a consequência da migração da gordura cristalizada em várias formas polimórficas para a superfície, devido à flutuação da temperatura de armazenamento.

O reencontro destes ingredientes num sistema equilibrado e vistoso resulta da temperagem, já sumariamente descrito no texto "Simbiose dos Corpos" deste blog, que consiste no resfriamento controlado da massa, cujo objectivo é a solidificação do chocolate pela cristalização da manteiga de cacau presente na sua forma mais estável.

Assim, se obtem uma mistura agradável, brilhante e saborosíssima.

Da mesma forma, o reencontro consciente com a amizade é um momento único e reconfortante, que também requer a devida temperagem, por forma a criar um sistema equilibrado e sólido.

A todas as minhas amizades, presentes, passadas e futuras, que me acompanharam de uma forma directa ou indirecta, presente ou distante, que me aconselharam, carregaram, aturaram e agitaram, que me esperaram sem fim, que comigo andaram, correram ou simplesmente comigo se arrastaram, que me puxaram, arrastaram e empurraram, que me incentivaram e me contrariaram, que me compreenderam e me aceitaram como sou, assim como às opções que escolhi, e que ainda aqui estão ao meu lado, de braço aberto, de uma forma presente ou platónica, o meu obrigado profundo e sentido.

A verdadeira amizade, seja de sangue ou não, é a minha companhia na minha solidão-entre-aspas.


Wednesday, September 10, 2008

Simbiose dos Corpos

A preparação do chocolate para moldagem nas múltiplas formas de bombons que nos são tão apelativas, é relativamente simples, mas requer mãos sábias e olho de mestre.

De entre as várias fases do processo, o procedimento básico e determinante é a “temperagem” do chocolate. A “temperagem” não é mais que elevar a temperatura do chocolate ao ponto deste derreter, e resfriá-lo naturalmente á temperatura da sua essência. Aplico aqui a palavra “essência” porque cada chocolate tem a sua temperatura certa, e essa temperatura é determinada pela essência do chocolate, da sua natureza, da sua personalidade. E é essa temperatura, a única que lhe confere uma perfeita harmonia entre todos os seus compostos, resultando num produto perfeito e apelativo, quer visual quer gustativo.

Neste processo, o chocolate não deverá ser aquecido a temperaturas demasiado elevadas. A diferença entre o seu ponto de fusão e o aniquilamento das suas mais frágeis e suaves fragrâncias, aquelas que lhe conferem a sua magnitude, é ténue. Não convêm sobreaquecer.

O processo de resfriamento, por outro lado, não se limita ao deixar baixar a temperatura naturalmente. È necessário mexer e misturar todo o chocolate, envolvendo-o e revolvendo-o lentamente, até que este atinja a sua temperatura essencial. Só nesse momento o chocolate está pronto para a moldagem.

Adicionalmente, a refrigeração do chocolate, assim como o seu resfriamento rápido, também destroem a perfeita harmonia dos compostos criada pela temperagem.

É um processo que requer dedicação, tempo, sabedoria q.b., e a dose certa de paixão.

No fim, termina-se com um chocolate perfeitamente temperado, de aromas complexos e subtis, de um sabor de provocar um verdadeiro êxtase.

O chocolate, quando dignamente obtido desde a Theobroma até à delícia final, é uma concentração de sabores e aromas complexos. O chocolate torna-se majestoso pelas suas qualidades e características, e ganha personalidade.

Os nossos sentimentos são assim também, complexos, recheados de subtilezas, de nuances, de pequeníssimos detalhes. Os nossos sentimentos requerem mentes sábias e abertas, olhos atentos, e corações apaixonados.

Não adianta misturá-los e revolvê-los de qualquer maneira, incendiá-los com relações sem sentido ou resfriá-los com doses de indiferença. O resultado final será sempre pobre, triste e de muito mau sabor, e por vezes repugnante.

É necessário nutri-los, compreender a sua natureza, apreender a sua essência. É preciso apanhar-lhes o sentido e deslindar os seus mistérios. Só assim se consegue determinar a sua temperatura certa, aquela que irá permitir uma perfeita simbiose entre os corpos.

Os corpos, quando se juntam, resultam num sem número de sensações. O objectivo é ter sempre boas sensações, preferencialmente arrebatadoras, daquelas que nos elevam a um patamar superior e nos fazem esquecer até quem somos. Mas não é isso que acontece na generalidade dos casos. Com alguma sorte, passamos momentos fantásticos, por vezes bastante enérgicos, mas globalmente bons. Normalmente, são momentos razoáveis, muitas vezes indiferentes, e algumas vezes desprezíveis.

Isso resulta de uma incorrecta “temperagem” dos sentimentos, e da sua relação com os nossos sentidos. A essência dos sentimentos não foi devidamente determinada, e todo o processo resultou num momento desligado, incompleto, inapropriado, desconcertado, desconexo, desencontrado.

A simbiose dos corpos só resulta de uma perfeita temperagem dos sentimentos e da sua coordenação com os nossos sentidos. Não importa que essa simbiose seja pontual ou definitiva. Essa simbiose só tem o sentimento de si se for devidamente temperada, tal como chocolate.

Tuesday, September 9, 2008

Jeanette - Beleza de um Encanto

O que é a beleza?

Será a beleza algo estritamente estético, ou o resultado de um estado de espírito?
Será a beleza puramente física, ou puramente psicológica?
Em qualquer dos casos, em que medida e forma se define a beleza?
E de que forma se estabelece a beleza entre os sexos, beleza masculina vs. beleza feminina?
Em que pontos são convergentes e divergentes?

Beleza -
algo que pela qual nos deixamos atraír (e, por vezes, traír) e pela qual nos deixamos escravizar.
Beleza - qualidade do que é lindo; qualidade do que é belo; formosura; bela mulher; coisa bela; anéis de cabelo descaídos para as faces.
Beleza - pela qual estabelecemos estereótipos, preconceitos, conceitos e virtudes.
Beleza - a traição dos sentidos.
Beleza, segundo Jeanette!

Para Joana Vasconcelos (artista plástica contemporânea portuguesa) a beleza é um sistema equilibrado com algum ruído.
Esta noção de beleza é, na minha opinião, genial.

Quando Vinicius de Moraes afirmou que “beleza é fundamental” não alinhava, com certeza, com as complexas implicações do conceito de beleza em termos de saúde, felicidade e qualidade de vida.

Beleza é uma percepção individual caracterizada normalmente pelo que é agradável aos sentidos. Esta percepção depende do contexto e do universo cognitivo do indivíduo que a observa. Através da história da humanidade, a relação com a beleza tem sido frequentemente religiosa ou mística e transcendente, logo, a beleza foi considerada muitas vezes como "aquilo que se aproxima da Divindade".

Também podemos considerar que beleza é uma unidade dentro da variedade, unidade essa que deve ser a harmonia da paz. A palavra beleza era utilizada originalmente para denominar exactidão, precisão, e eventualmente a palavra adquiriu o significado de simetria. Beleza é aquilo que vemos e que podemos interpretar de modos diferentes.

É difícil expressar em palavras o que é o "belo". Mas pode-se afirmar que a beleza é um conjunto de elementos que resultam naquilo que se considera belo. Uma das expressões utilizadas antigamente para definir a beleza feminina: "eram mulheres agradáveis aos olhos" ou "são mulheres formosas à vista". Mas esse conceito mudava consoante o "espaço" ao qual estivesse associado.

Para Leonardo Da Vinci, o modelo de beleza foi traduzido pelo quadro Mona Lisa. Para ele, e para o pensamento da época, a mulher bela tinha que preencher, literalmente, o seu 'campo de visão', ou seja, as mulheres tinham que ser 'rechonchudinhas' e trajando muitas roupas, por pressão moral.

Mas o conceito de beleza mudou ao longo dos tempos. Conhecidas, e ultimamente bastante criticadas, são as linhas actuais quase anoréxicas, pele sempre bronzeada, sem marcas, que não tém qualquer fundamento saudável nem moral, mas somente económico. Outra linha são os corpos excessivamente trabalhados por cirurgiões estéticos, produzindo corpos sem barriga, sem flacidez, com peitos XL, bem firmes, lábios carnudos, narizes perfeitos, pele esticada, sem expressões, traseiros bem medidos, etc.

Portanto, a beleza transcende a questão espacial, e entra numa dimensão temporal. Beleza é algo relativamente ligada ao tempo e ao espaço. O conceito de beleza tem variações através do contexto (época, espaço, etc).

Para alguns, a beleza não inclui somente forma física, mas também o modo de pensar de cada individuo, a maturidade, os sentimentos, o comportamento, o modo de agir em geral.

É também gerador de um certo conflito entre as pessoas, em busca do melhor, do superior. Isso também gera preconceitos, porque divide a sociedade entre "bonitos" e "feios". Na vida, na sociedade, na busca de emprego, nos relacionamentos, a “boa aparência” cada vez mais abre vantagem. Ainda que tenhamos aprendido que o que importa é a essência, na realidade a aparência, leia-se beleza, conta mais forte. E entre a percepção da aparência (imediata) e a avaliação da essência (não imediata) decorre um espaço de tempo que favorece a beleza e sobre o qual se edifica a industria da estética.

Mas o que nunca se altera são os fundamentos básicos da beleza.

Apesar de algumas alterações quanto ao gosto pessoal, a ciência mostra que há um padrão de beleza humana universal e inalterável ao longo tempo. Esse padrão é instintivo e apenas sofre pequenas alterações sob a influência da cultura, mas o que foge radicalmente desse padrão nunca foi e nunca será considerado belo, por mais que a cultura se altere. O único modo desse padrão se alterar é se a própria estrutura biológica do homem se alterar, modificando os seus instintos milenares.

A beleza também poderia ser vista como uma característica sexual secundária, surgida evolutivamente como forma de indicar ao sexo oposto que um determinado indivíduo está apto para se reproduzir e gerar filhos geneticamente saudáveis. Na sociedade moderna, a beleza é um sinónimo de sucesso: regra geral, as pessoas são muito mais atenciosas (e mesmo educadas) com indivíduos bonitos do que com os menos privilegiados nesse aspecto. Por isso, os modelos atraentes são amplamente empregados na publicidade.

Existem testes científicos que visam a definição do conceito de beleza, que passam, por exemplo, por pedir a um indivíduo que classifique uma série de fotos de desconhecidos quanto à sua beleza.

Testes como este indicam que rostos com aspecto mediano tendem a ser considerados mais atraentes do que aqueles que apresentam alguma característica muito distintiva (como um nariz ou lábios muito proeminentes, por exemplo). Da mesma forma, uma pele lisa, sem acne ou barba, também aumenta a probabilidade de um individuo ser considerado belo.

Mas isso está longe de ser um critério amplamente aceite, como indica um estudo da equipa dirigida pelo psicólogo David Perrett, da Universidade de Saint Andrews, na Escócia. Num trabalho de 1994 na revista Nature, eles mostraram que características faciais exageradas em relação à média da população podem contribuir para que um indivíduo seja considerado belo. Um exemplo disso são os grossos lábios da atriz Angelina Jolie.

Mas existem outros estudos. Um, realizado em 1999 por
pesquisadores da Universidade de Saint Andrews e liderados pelo psicólogo Ian Penton-Voak, utilizou programas de computador para adicionar atributos considerados femininos em fotos de rostos masculinos.

O resultado?
As mulheres preferem homens com características faciais associadas com o sexo masculino (como rostos mais quadrados, sobrancelhas mais pesadas e retas e lábios mais finos) durante o período fértil de seu ciclo menstrual. Já em outros períodos, as mesmas mulheres tendem a considerar mais atraentes homens com rostos com características mais femininas.
Mais à frente, o estudo indica que
o odor dos hormônios sexuais masculinos é desagradável para as mulheres, excepto durante o período em que elas estão férteis.

Estudos diferentes podem apontar para conclusões diferentes. Existe uma ampla gama de factores que podem influenciar os resultados finais. Mas as conclusões, sejam de que estudo forem, não deixam de ser curiosas.


Em inicios de Agosto de 1985, tinha eu 14 anos, viajei para o Lesotho, um pequenho país no seio da África do Sul. Um país do terceiro mundo, com cerca de um milhão e meio de habitantes. A casa onde vivi durante os três anos que se seguiram tinha uma empregada doméstica chamada Jeanette, que trabalhava de 2ª a Sábado. Chegava a casa antes do pequeno almoço, que era por volta das 7 da manhã, e saía por volta das 17 horas da tarde (se não me falha a memória).

Quando conheci a Jeanette achei-a...bem, feia!, porém simpática. A Jeanette tinha quarenta e tal anos, não sei precisar se mais ou menos de 45, e tinha uma filha adolescente (bonitinha). O corpo era razoável (desculpem-me as leitoras deste meu sentido mais frio e machista), mas nada de especial. No entanto, tinha um peito de fazer inveja a muitas mulheres de 20 anos. Não eram grandes, nem pequenos, eram bem medidos, e bem redondos, pelo menos quanto o sotien e o vestido deixavam delinear. Mas a cara da Jeanette era feia. Uma cara muito pouco estética, demasiado marcada pelas expressões e dificuldades da vida. Fazia-me lembrar a rede de uma raquete de ténis, mas com buracos
bem mais largos. Aquela mulher era feia, e pronto! Foi o meu pensamento quando a conheci. Mas simpática!

Ao longo dos dias em que convivi com ela (pequeno almoço, almoço e lanche) fui conhecendo a sua maneira de ser. Confirmou-se a sua simpatia, mas também era bem disposta, muito divertida, afável, carinhosa e preocupada. Era fanática por futebol (mas mesmo, mesmo fanática!...ao extremo...e quando descobri este lado dela, de vez em quando ligava uma estação de rádio com um jogo qualquer na África do Sul que procurava ao acaso...e aquela mulher transformava-se... ...os gestos, as expressões, a vibração com o jogo, os saltos, a tensão dos momentos de golo, e eu ria-me, e ela ria-se de volta para mim, e das figuras que fazia). Levava a sua religião muito a sério (não me recordo qual era, mas não podia comer carne de porco, de entre outras coisas. Por vezes discutia com ela sobre isso, mas em vão...não só não tinha argumentos suficientes como estava a lutar contra uma fé determinada). Era uma pessoa perspicaz para algumas coisas, mas genericamente ingénua para muitas outras.

Ao fim de um tempo, muito pouco tempo, olhei para ela e achei-a... ...bonita. Bonita?????! Estás louco???
Nessa altura o conceito de beleza bateu-me na cabeça que nem martelo numa bigorna!
Sim...bonita! Não sabia explicar mas já não via aquela rede de raquete, aquela cara feia com expressões vincadas. A Jeanette tornou-se bonita aos meus olhos!

Antes de mais, quero esclarecer uma coisa...não houve, em momento algum, qualquer espécie de factor erótico por detrás desta conclusão de beleza. Porque é que digo isto? porque é possível considerar alguém bonito fora dessa dimensão. Considerei-a bonita como pessoa, e não como possivel ou imaginária personagem erótica, e essa minha consideração de beleza deturpou de forma positiva a minha visão física do corpo.

Infelizmente, não fiquei com nenhuma fotografia dela para memória futura. Via-a a última vez há 20 anos (1 de Agosto de 1988), que foi quando retornei a Portugal. Mas lembro-me dela com saudade, e com beleza, porque marcou a minha forma de interpretar a beleza em geral.

Obviamente, já tinha passado por experiências semelhantes antes de a conhecer. Mas nunca tinham sido tão marcantes e, por isso, passaram-me sempre despercebidas. Eu achava alguém bonito ou feio e pronto, não questionava o porquê.

O conceito de beleza que tenho hoje é variável, mas é indubitavelmente influenciado pelo meu conhecimento da pessoa como ser social e psicológico, e menos como pessoa física. Não tem nada a haver com a Jeanette, ela foi simplesmente um despertar para outras evidências bem mais importantes na minha avaliação de beleza - a alma da pessoa.

Não sou nenhum santinho...a primeira coisa que avalio em alguém é o aspecto físico e a sua aparência. É escusado tentar não o fazer. É mais forte que eu. Qualquer "boazona" (e aqui o conceito de boazona é muito alargado) que se cruze por mim na rua pode-me fazer virar a cabeça...confesso-o!

Os primeiros atributos que me atraiem numa mulher são quase sempre físicos.
Pode ser qualquer coisa, ou um conjunto de coisas.
Pode ser...
...magra ou gorda,
...alta ou baixa,
...loira, morena ou ruiva,
...branca, negra, mulata, amarela...
...etc.

Mas pode haver qualquer pormenor físico que me chama a atenção...
...tom de voz,
...olhos,
...mãos,
...cabelos,
...pescoço,
...peito,
...braços,
...barriga,
...pernas,
...tornozelos,
...pés,
...ouvidos,
...aqueles pequenos cantos,
...determinadas curvas,
...pormenores por vezes dissimulados,
...uma veia num determinado sitio, ...
...um sem número de pormenores, ou conjunto deles.

Logo de seguida, quase de imediato, vem uma avaliação superficial quanto aos...
...gestos,
...olhares,
...maneira de falar,
...andar,
...vestir...
...e depois as actividades,
...os interesses,
...o modo como encara a vida, as pessoas, os incidentes,
...as alegrias,
...as tristezas...
...mais tarde começa um conhecimento mais profundo...
...da sua forma de pensar,
...de agir,
...de estar só,
...de estar acompanhada,
...os projectos de vida,
...e não tarda nada, o conceito de beleza dessa pessoa altera-se completamente face ao conceito inicial...
...tornando-a mais bonita,
...ou mais feia,
...ou simplesmente indesejável,
...por vezes até desprezível (mesmo que tenha um corpão de coelhinha playboy, não que este seja o meu estereotipo ideal).

Eu sei que, dando tempo ao tempo, à convivência com essa pessoa, a visão que faço dela em termos de beleza quando a conheço pode mudar drasticamente, consoante a sua personalidade e modo de estar na vida.

Aprendi isso com a Jeanette.
Tenho saudades da Jeanette...pergunto-me como estará hoje, e se ainda vibra pelo futebol como dantes.
Mas tenho a certeza de que continua bela, porque essa beleza não tem idade...é intemporal!


Algumas fontes/créditos:

Joana Vasconcelos - http://tsf.sapo.pt/podcast/files/pet_20080808.mp3
Dicionários Priberam
Wikipedia
Insituto Ch - Ciência Hoje - http://cienciahoje.uol.com.br/91845
Tommaso Psicologia - http://tommaso.psc.br/html/estetc/estetc3.htm
Didáctiva Editora - A Arte de Pensar - http://aartedepensar.com/leit_gosto.html

Friday, September 5, 2008

As Mulheres Preferem o Chocolate aos Homens?



Está dado o mote...
...é chocolate, é homem,
ou
uma cuidada combinação dos dois?


Existem imensos artigos e opiniões sobre o assunto. Não vale apena estar agora a enumerá-los ou colocar os respectivos links...basta digitar as palavras "chocolate", "homens" e "sexo" num qualquer motor de busca para descobrir dezenas de artigos e opiniões sobre este assunto.

Eu tenho a minha opinião, mas só vale por mim e não tem qualquer representação expressiva da maioria. Além disso, prefiro mulheres. É uma fraqueza minha, que hei-de fazer?

Algumas mulheres afirmam (afirmam...mas será a realidade?) que preferem o chocolate a qualquer homem. Claro que muitas delas também dizem que não dispensam uma boa dose de sexo, intenso e orgásmico, mas o hocolate...provoca-lhes uma grande excitação. Ainda há pouco descobri um blog onde a respectiva bloguista referia que...entre 10 mihnutos de prazer carnal com um homem e um bom pedaço de chocolate, não hesitaria por um só segundo - Chocolate! Afirma que o prazer durará garantidamente mais do que os tais 10 minutos.

Outras mulheres também não hesitam na escolha oposta... ...Chocolate vs. Homem??? Mas qual é a dúvida? Posso conseguir um pedaço de chocolate a qualquer hora e quase em qualquer lugar. Um homem já é algo diferente.
E sexo?
...bem, nem vale a pena começar por descrever...

Na verdade, ninguém (ou quase ninguém...não podemos esquecer os celibatários, e não me refiro somente a religião) dispensa sexo. Sexo faz parte da natureza humana.


O que se diz do sexo?

  • que liberta endorfinas, responsáveis por diminuírem o stress, levando a um estado de felicidade,
  • que contribui para a diminuição das enxaquecas por causa da dilatação dos vasos sanguíneos (será que afinal elas estavam a querer sexo e não o contrário, quando se queixavam da dôr de cabeça?),
  • aumenta os anti-corpos, ajudando na defesa contra gripes e afins,
  • pode ajudara esquecer os problemas (então é por isso que...haaaa!), porque a oxitocina, que é desencadeada pelo orgasmo, tem um efeito amnésico que
    pode ajudar a esquecer os problemas, e pode durar até cerca de 5 horas. As mulheres têm uma vantagem adicional, durante o orgasmo as partes do cérebro que gerem o medo, ansiedade, e o stress são desligadas (só que fingir o orgasmo não tem o mesmo efeito…ok?),
  • ajuda a dormir melhor (a quem o dizes!!!),
  • melhora os dentes? dizem...que é muito melhor que uma pasta de dentes, o plasma seminal em contacto com os dentes previne as cáries dentárias,
  • porque contém zinco, cálcio e outros minerais importantes para a prevenção das cáries (e esta, hein?).
  • pode ser um tratamento de beleza. Quando uma mulher faz sexo o nível de estrogénio no corpo dela duplica, tornando a pele mais macia e o cabelo mais brilhante (ora bem...já me estou a ver com o nome de um shampô na testa),
  • as hormonas de estrogénio libertadas enquanto se tem sexo, contribuem para proteger o coração, bem como ajudam a prevenir a doença de Alzheimer e a osteoporose (enquanto a testosterona fortalece os ossos e os músculos),
  • a saúde mental e emocional é indubitavelmente influenciada pelo sexo. A abstinência é fonte de ansiedade, paranóia e depressão. De facto, no caso de uma leve depressão, o corpo logo depois do sexo liberta endorfinas, responsáveis por diminuírem o stress, levando a um estado de felicidade (hum...a considerar também),
  • é um inibidor da dor: mesmo antes do orgasmo, os níveis das hormonas de oxitocina aumentam cerca de 5 vezes mais, levando a uma libertação de endorfinas,
  • isto tudo, para além de ser um óptimo exercício, provocar perda de calorias, melhorar o nosso amor próprio...



E sobre o chocolate?


Alguns dos sintomas acima são igualmente atribuídos ao chocolate (entenda-se, chocolate forte em cacau, e não produzido industrialmente, ou cuja produção industrial seja cuidada e não danifique as suas propriedades. Já agora, podem existir más produções artesanais também...cuidado com os embustes).

Diz-se que:
  • contem antioxidantes, o que ajuda a prevenir problemas de coração,
  • contem potássio, magnésio e cálcio (isto deve ser bom para alguma coisa, mas o artigo não explicava).
  • a sua gordura não contribui para o colesterol (ok, mas isto não é um
    benefício, é uma vantagem para quem gosta de comer chocolate. Além disso, já foi descrito num post anterior),
  • aumenta a produção de serotonina, um antidepressivo natural (boa!),
  • aumenta a libertação de endorfinas, responsáveis por diminuírem o stress, levando a um estado de felicidade (e já li isto onde?),
  • liberta os mesmos químicos no nosso organismo de quando nos apaixonamos,
  • faz bem à pele (como tratamento estético...e aqui estamos a falar de co-mer!)
  • alguns estudos dizem que, na verdade, ajuda a perder peso (esta até eu tenho dificuldade em engulir) A razão é a seguinte: é um supressor natural de apetite. Diz-se que contem químicos que bloqueiam o desejo por doces, e que contribui para a diminuição do ciclo vicioso de comer muito!
  • beneficia os dentes, porque contem (e aqui vou colocar alguns termos em inglês) polyphenols, flovonoides e tannins, que são substâncias chave para a saúde dental,
  • pode ainda reduzir o nível de bactérias na boca, aliviar sangramento da gengiva, melhorar o hálito e reduzir o risco de cavidades,
  • reduz a pressão arterial, por causa dos flavonoides (assim como alguns frutos, vegetais, chá e vinho tinto),

Mas... ...essencialmente as pessoas,
e aqui, as mulheres, comem
chocolate porque...

...porque sabe bem!


Mesmo muito bem!



Então...temos grandes beneficios em ambas as escolhas...chocolate e homens (com a finalidade de...sexo, está claro!). No caso do artigo aqui em discussão, sexo com homens, mas podemos (e devemos) considerar sexo com mulheres também...
...afinal, sexo é sexo, e não vale estarmos aqui com discriminações sem sentido.






Outra opção, é tirarmos o proveito do chocolate e apreciarmos, deliciarmo-nos, gozarmos intensamente, aqueles pedaços de chocolate negro de que tanto gostamos,. E depois, aí sim, sexo (parece-me bem) . E com essa sessão de sexo, eliminámos uma boa dose de calorias (excelente!).


O melhor de dois mundos.
Mas isto sou eu...e a minha modesta opinião.

Qual é a vossa?...

Chocolate pode fazer as vezes da aspirina para reduzir risco de enfarte


Transcrição:

"Alguns quadradinhos de chocolate negro por dia têm os mesmos efeitos do que a aspirina para reduzir a coagulação sanguínea e diminuir os riscos de bloqueio das artérias responsável por numerosas crises cardíacas, segundo um estudo publicado hoje nos Estados Unidos.

“O que os grandes amantes de chocolate nos mostraram é que a substância química contida no cacau (chamada flavonóide) tem um efeito bioquímico semelhante ao da aspirina para reduzir a aglutinação das plaquetas sanguíneas”, escreve Diane Becker, da Escola de Medicina Johns Hopkins, principal autora da investigação apresentada na conferência anual da associação norte-americana do coração (American Heart Association), em Chicago.

Becker salienta que o seu estudo não deve ser visto como um incentivo ao consumo de quilos de doces à base de chocolate, que contêm também açúcar e manteiga.

No entanto, a medicina poderá recomendar duas colheres de café, diariamente, de chocolate negro na sua forma mais pura.

Há 20 anos que a ciência sabe que o chocolate negro rico em flavonóides faz baixar a tensão arterial e tem outros efeitos que fazem bem à circulação sanguínea.


Becker diz que, ao contrário de estudos anteriores, esta investigação mostra que doses reduzidas de chocolate negro são suficientes para ter efeitos anti-coagulantes e que não é necessário ingerir grandes quantidades para obter estes efeitos.
"

"A substância química contida no cacau tem um efeito bioquímico semelhante ao da aspirina"

(in PUBLICO, 14.11.2006 - 23h19 AFP)


Por outro lado, a maioria do chocolate comercializado em Portugal, e todo aquele comercializado nas grandes superfícies comerciais, é de origem industrial e cujo cacau é de origem duvidosa. E ainda (já parece o 123), a grande maioria dos processos industriais quase que anulam as propriedades do cacau, e juntam-lhe um conjunto de substâncias que nem vale a pena referir.


Por conseguinte, este tipo de informação é útil, mas tenham em conta a origem do chocolate que consomem e do seu processo de produção.

Cacau, após ter sido colhido da árvore. O seu interior é composto por uma matéria gelatinosa branca adocicada, que pode ser aproveitada para aprodução de licor de cacau.



Nota:

as imagens prometidas não estão esquecidas...vão ser publicadas hoje ao fim do dia.

Obrigado pela participação.

Wednesday, September 3, 2008

How to get your brain up to speed

Esqueçam tudo o que aprenderam até hoje sobre a melhor forma de desenvolver as capacidades cerebrais.

No passado mês de Dezembro de 2007, foi publicado um livro entitulado "Teaching Yourself: Training Your Brain", de Terry Horne (psicólogo cognitivo) e Simon Wooton (bioquímico).

Uma das dicas do livro, segundo diversos artigos publicados, é que "fazer sexo e comer chocolate amargo ajudam a impulsionar a capacidade cerebral". Ou seja, e segundo Terry Horne, "durante décadas pensámos que a capacidade no cérebro era geneticamente determinada, e agora ficou claro que é uma questão de estilo de vida".



Bom...tenho umas barras de chocolate negro em casa, 100% cacau, e outras de 70% - todas de produção artesanal.
Vou começar já por aí.

Quanto à parte do sexo...
...vou-me inibir de fazer quaisquer comentários.
:D




Nota:
prometo num próximo post colocar uma foto masculina coberta de chocolate, para deleite do público feminino!
Até lá... ...há sugestões para tipo masculino?

Monday, September 1, 2008

Sexo e Chocolate II

"Fruta de todas as variedades que o país produzia eram-lhe presentadas; ele comia muito pouco; mas de tempos a tempos um licôr preparado de cacau, e de uma natureza afrodisíaca, como nos foi informado, era-lhe presenteada em canecas douradas...Eu observava o número de jarros, para cima de cinquenta, trazidos, e cheios de uma espuma de chocolate, da qual ele bebia alguma..."

Bernal Diaz del Castillo, membro da força de Cortez, descrevendo uma refeição do Imperador Montezuma (1519)

Sexo e Chocolate

Diz-se por aí…que as mulheres têm comparado o chocolate ao sexo.

Pessoalmente, considero um exagero, mas entendo a metáfora, e assino por baixo. Nada me agradaria mais neste momento que…


bem…

...já chega de metáforas!


De acordo com alguns investigadores italianos, as mulheres que consomem chocolate regularmente têm uma vida sexual melhor do que aquelas que se recusam a este pedaço divinal...não o que coloquei aqui em exposição, mas ao chocolate, mesmo.


O estudo, que foi apresentado ao “European Society for Sexual Medicine” em Londres (esta notícia data de 2004), afirma que “as mulheres que consomem chocolate diariamente demonstram maiores níveis de desejo que aquelas que não têm este hábito. O chocolate pode ter um impacto psicológico positivo na sexualidade feminina.”

Ok!
Mulheres…ataquem este pedaço!

Posto isto, se o Presidente da República (vénia presidencial) está tão preocupado em aumentar a população jovem nacional (Portuguesa, entenda-se), que convença o Primeiro-Ministro (vénia minesterial) a invistir em duas frentes:

  1. creches gratuitas,
  2. chocolate grátis para todos!


Já é meio caminho andado!!!



Quanto a mim…
...vou-me deliciando!

Um pequeno doce momento…pausa com morangos e ganache de chocolate negro

Para todas as amantes do chocolate, e todos os fanáticos, aqui fica um pequeno momento para saborear…

Gozado o momento, informa-se que esta delícia não só é fácil de fazer, como não é tão calórica quanto se possa imaginar.

O chocolate negro é saudável…faz bem ao coração e tem um conjunto de outras propriedades muito interessantes. Os morangos dispensam apresentações.

Recomenda-se o uso de chocolate produzido artesanalmente, sem aditivos e com muito pouco açúcar, dado que o industrial anula quase por completo as boas propriedades do chocolate, e contem uma série de aditivos menos recomendáveis.

Existem alguns fornecedores em Portugal, nomeadamente em Lisboa.

Um em particular, considerei uma delícia…

:D

Friday, August 29, 2008

Quando a Sorte nos Bate á Porta…e Não Está lá Ninguém…

Há meio milénio, uma canoa cheia de índios dirigiu-se a uma tosca casa flutuante ancorada em Guanaja, uma ilha salpicada de palmeiras ao largo da costa das Honduras. Cristóvão Colombo ancorara ali a caminho de casa, no regresso da sua quarta e última viagem à América, ainda na esperança de encontrar riquezas úteis.

Os índios ofereceram-lhe aquilo que lhe pareceu uma mão-cheia de amêndoas mirradas. O seu filho relatou mais tarde que ficou muito confundido quando algumas caíram para o fundo da canoa e «eles se lançaram à procura delas como se fossem olhos que lhes tivessem caído do rosto». Mas o maia de Colombo não era melhor que o espanhol dos nativos, e ele regressou a Espanha de mãos vazias

(in “Chocolate - Uma Viagem” de Mort Rosenblum)

O chocolate teve um longo percurso desde a sua descoberta relatada pelos europeus no século XV, até aos dias de hoje. Muito se escreveu, guerreou e se inventou. No entanto, continua a ser um alimento envolto de mistérios, enganos, e muito se desconhece sobre as suas verdadeiras características.

São-lhe atribuídas qualidades eróticas, diz-se que engorda e faz mal à saúde.

Existem tremendos preconceitos sobre o chocolate; que engorda, faz espinhas na pele, corrói os tratamentos dentários…e aqueles triglicéridos?

Pessoalmente... ...estou sempre pronto para comer chocolate.
Dependendo do estado de espírito, e dos desejos pseudo-físicos, ora negro, bem negro, por vezes quase amargo, também de leite, branco...por vezes mesmo branco...

Regra geral, apenas o chocolate. Mas outras vezes com nozes, avelãs, amêndoas, côco, morangos, laranjas, pimenta rosa, ananás, manga, natas, ...and so on, and so on, and so on...



Mas na verdade, o que é realmente o chocolate?

Ah...Colombo!
As riquezas que perdeste!

Thursday, August 28, 2008

Chocolate, Sexo e Mentiras - A Origem

O filme “Sexo, Mentiras e Vídeo” (“Sex, Lies, and Videotape”, 1989, de Steven Soderbergh, com James Spader, Andie McDowell e Peter Gallagher) foi uma inspiração indirecta para este blog. Não que exista alguma estreita relação entre este blog e o filme, mas porque se pretende que seja igualmente realista, directo, simples, e que demonstre a dissimulada verdade dos factos sobre o chocolate, como nós o encaramos e nos relacionamos à volta dele.

Este filme é fascinante do início ao fim, pelo diálogo, pela opção em não explorar as emoções de uma forma gratuita, mas simplesmente mostrar como elas se desenrolam, no seu próprio tempo, no seu próprio ritmo, e também pela calma e silenciosa intensidade das cenas.

Da mesma forma, pretende-se que este blog vá desvendando algumas realidades menos conhecidas do chocolate, que seja directo, simples, realista, que desconstrua falsos preconceitos, e que construa novos e verdadeiros apreciadores de chocolate. Sem pressas…no seu próprio ritmo.

Porquê sexo?...não existe já uma relação entre o chocolate e a sua pretensa característica afrodisíaca? Falaremos disso mais tarde, mas fica já a nota de que o rei Azteca Montezuma tinha por hábito beber grandes quantidades de uma bebida à base de chocolate antes de visitar as suas muitas mulheres.

Porquê mentiras?...porque é verdade, porque o chocolate está recheado de mentiras, exageros e falsidades.


E resumindo…é bom?
Sim…muito bom, mesmo mesmo muuuuuiito bomm!


Nota final:
Este blog não pretende reunir receitas de chocolate, mas estas poderão surgir pontualmente. E se alguém quiser partilhar alguma…que se sinta livre de o fazer.

Wednesday, August 27, 2008

Adeptos do Chocolate

"Nove em cada dez pessoas dizem gostar de chocolate; a décima está a mentir."
Brillat-Savarin
1755-1826
Advogado e Político, ganhou fama como Epicurista e Gastrónomo.

Quantas pessoas conhecem realmente o chocolate?
Muitas, se não todas, já provaram produtos de chocolate. Algumas, talvez uma inoria, realmente provaram chocolate.
...será uma barra de chocolate retirada de uma qualquer prateleira de supermercado o verdadeiro chocolate?

Quantas pessoas realmente gostam ou odeiam chocolate?

Tuesday, August 26, 2008

Chocolate, Sexo e Mentiras

Chocolate, Sexo e Mentiras

Por mais improvável que pareça, estes três tópicos encontram-se mais relacionados entre si do que parece. Todos se encontram envoltos de mistério, excitação, verdades, mentiras, alegrias e tristezas.

A lista de sensações provocadas por qualquer destes tópicos é infindável, todos provocam habituação, continuação, mas também grandes prazeres ou actos de nobreza.

Enfim...todos têm um pouco de verdade e mentira, prazer e dôr, harmonia e desarmonia.